Turquia retoma negociação para aderir à União Europeia

Ex-presidente da França Nicolas Sarkozy dizia que país não fazia parte da Europa

AE, Agência Estado

16 Maio 2012 | 15h08

ANCARA - A Turquia mostrou interesse renovado às vésperas da reabertura das negociações para sua oferta de adesão à União Europeia (UE), que deverão começar na quinta-feira, agora que seu principal oponente, Nicolas Sarkozy, não é mais presidente da França.

A Turquia iniciou suas negociações para aderir à UE em 2005, mas houve pouco progresso na candidatura, principalmente por causa das divergências políticas entre a Turquia e o Chipre, que é membro do bloco desde 2004, e também da ferrenha oposição do ex-presidente francês Sarkozy. Ele argumentava que a Turquia, como país predominantemente muçulmano, não é parte da Europa. Sarkozy queria que a Turquia aceitasse algum tipo de parceria especial com o bloco europeu ao invés de ser um país membro, algo que a Turquia rechaçou.

Agora que o socialista François Hollande foi eleito presidente da França, a Turquia espera que ele seja mais simpático à ideia do país aderir à UE. A Turquia tem uma das economias que mais crescem no mundo e está se tornando novamente um poder regional no Oriente Médio.

Além da retomada das negociações com a UE para a adesão, o governo turco anunciou nesta semana que o Parlamento votará em breve uma série de leis desenhadas para avançar o pedido de adesão ao bloco europeu.

O comissário para expansão da UE, Stefan Fuele, deverá visitar a capital turca, Ancara, para anunciar o início das negociações técnicas informais entre o bloco europeu e o governo turco em oito áreas políticas sensíveis. O objetivo é deixar a Turquia mais próxima da adesão ao bloco no momento em que alguns Estados membros abrandaram suas objeções à adesão turca.

Quando as negociações para a Turquia aderir à UE começaram há sete anos, a Turquia era vista como um país cuja população dinâmica enriqueceria a UE cultural e economicamente, e também serviria como uma ponte para o mundo muçulmano. Mas os problemas econômicos na Europa e falta de entusiasmo europeu na expansão do bloco resultaram em uma crescente oposição à adesão da Turquia. Frustrada, a Turquia desacelerou suas reformas e concentrou seus esforços em obter um papel de liderança política no Oriente Médio.

"A Turquia está mudando, a União Europeia está mudando e a nova Europa não pode existir sem a Turquia", disse Egemen Bagis, ministro turco encarregado das relações com a UE. "Até agora, todos os países que iniciaram negociações com a União Europeia viraram membros plenos do bloco. A Turquia não será uma exceção", disse Bagis. O presidente turco Abdullah Gul deverá ter uma reunião com Hollande na próxima semana, durante a cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em Chicago.

As informações são da Associated Press.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.