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Turquia substitui chefia das Forças Armadas e proíbe eventos em Ancara

Substituição ocorre um ano após a tentativa de golpe de Estado atribuída a religioso que vive nos EUA

O Estado de S.Paulo

02 Agosto 2017 | 16h17

ANCARA - As principais autoridades militares e governamentais turcas decidiram, nesta quarta-feira (2), substituir os comandantes das Forças Armadas, um ano depois da tentativa de golpe de Estado - informaram os canais NTV e CNN-Turk.

A decisão, que deve ser formalmente aprovada pelo presidente Recep Tayyip Erdogan, foi adotada durante uma reunião do Conselho Militar Supremo, presidida pelo primeiro-ministro Binali Yildirim e na presença dos comandantes das Forças Armadas e de vários ministros.

Os militares substituídos são o comandante-chefe do Exército, general Salih Zeki Colak, assim como o almirante Bulent Bostanoglu e o comandante-chefe da Aeronáutica, general Abidin Unal, de acordo com a CNN na Turquia.

Os chefes do Exército, da Aeronáutica e da Marinha "terminaram sua missão. Desejo a eles sucesso no novo período de sua vida que começa agora", declarou o porta-voz da presidência, Ibrahim Kalin.

Os mais altas autoridades das Forças Armadas e vários ministros participaram da reunião anual, na qual se decidiu o futuro dos oficiais de igual ou superior grau de coronel.

Esta é a terceira reunião do Conselho Militar desde o golpe fracassado de 15 de julho de 2016, atribuído por Ancara ao pregador Fethullah Gülen, que vive nos EUA e nega as acusações.

Após a tentativa de golpe, o governo realizou grandes expurgos, especialmente no Exército: 149 generais e almirantes, ou seja, cerca de metade dos oficiais desta patente, foram afastados.

Para atender às necessidades no topo da cadeia hierárquica, 61 coronéis foram promovidos ao posto de general ou almirante durante a reunião desta quarta-feira, segundo Kalin.

Os motins que se seguiram ao golpe fracassado aceleraram o controle das autoridades civis sobre as antes toda-poderosas Forças Armadas.

As autoridades da Província de Ancara, anunciaram nesta quarta-feira que estão proibidos qualquer tipo de protesto, greve, reunião ou celebração durante o mês de agosto na capital, com a justificativa de que estas concentrações aumentam o perigo de atentados terroristas.

Em um comunicado emitido hoje, o escritório do governador provincial menciona a detenção de Nuriye Gülmen e Semih Özakça, dois professores turcos que estão em greve de fome há mais de 140 dias em protesto contra um decreto que provocou sua demissão.

O governo os relaciona com a organização de extrema-esquerda Partido-frente Revolucionária de Libertação Popular (DHKP-c, sigla em turco) e argumenta que a proibição dos protestos em espaços públicos evita demonstrações de apoio a este grupo.

Por outro lado, o governo indicou que as manifestações "atrapalham os cidadãos e a ordem pública" e facilitam a ação de grupos terroristas como o Estado Islâmico (EI).

Esta norma está sendo imposta com base no estado de emergência decretado no país após a tentativa fracassada de golpe de Estado no ano passado.

Sob o estado de emergência, as autoridades podem emitir decretos com força de lei, suspender liberdades e direitos fundamentais, impor obrigações financeiras e trabalhistas aos cidadãos e conferir poderes especiais aos funcionários, sem que estas decisões possam ser contestadas na Justiça. / EFE e AFP

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