Turquia; Rússia; atentado
Turquia; Rússia; atentado

Turquia suspeita que assassino de embaixador russo teve ajuda

Kremlin envia equipe de investigadores para tentar esclarecer atentado em Ancara

O Estado de S.Paulo

20 Dezembro 2016 | 23h32

ANCARA - O policial turco que assassinou o embaixador da Rússia na Turquia na segunda-feira dificilmente agiu sozinho, afirmou nesta terça-feira à Associated Press uma autoridade do governo de Ancara, sob condição de anonimato. O Kremlin enviou uma equipe de investigadores para tentar descobrir os detalhes do crime cometido por Mevlut Mert Altintas, de 22 anos. 

 O diplomata, Andrei Karlov, foi morto a tiros pelas costas durante a abertura de uma exposição fotográfica na capital turca. Os especialistas russos chegaram nesta terça-feira à cidade e começaram a trabalhar em parceria com as autoridades turcas na perícia da galeria de arte onde Altintas matou Karlov antes de fazer um discurso sobre a guerra na Síria e ser morto por agentes da polícia turca. O atirador mencionou o conflito na Síria, em especial na cidade de Alepo, para justificar o assassinato.

O crime foi “muito profissional, não parece ser ação de um homem sozinho”, afirmou a fonte da AP, acrescentando que o planejamento sofisticado da ação indica que tenha havido cúmplices. A polícia deteve sete pessoas desde a segunda-feira. O pai, a mãe e uma irmã do atirador, além de um colega de quarto dele, foram presos ainda na segunda-feira. Ontem, outros três parentes não identificados pelas autoridades foram levados para interrogatório.

O governo do presidente Recep Tayyip Erdogan renovou, ainda, a acusação de que seguidores do clérigo turco autoexilado nos EUA Fethullah Gulen estariam por trás do atentado contra o diplomata. Uma mensagem formal de acusação foi enviada ao secretário de Estado americano, John Kerry. Opositor de Erdogan, Gulen já foi acusado por Ancara, em julho, de ter orquestrado a tentativa frustrada de golpe militar na Turquia.

O primeiro-ministro da Turquia, Binali Yildirim, disse nesta terça-feira que o assassinato de Karlov não abalará o elo de seu país com a Rússia. “As relações fortes continuarão, ninguém tem o poder de destruir os laços (entre Ancara e Moscou).”

O ministro das Relações Exteriores turco, Mevlut Cavusoglu, reforçou o tom de conciliação com a Rússia e anunciou, em visita a Moscou para uma reunião sobre a questão Síria (mais informações nesta página), que uma das ruas na região da embaixada russa em Ancara passará a ter o nome do embaixador Karlov.

Os laços bilaterais entre os dois países foram abalados em novembro de 2015, quando um avião militar turco abateu um caça russo. A relação, no entanto, foi normalizada e vem se intensificando graças a interesses comuns de Ancara e Moscou na questão síria.

Prevenção. Os EUA informaram que as três missões do país na Turquia seriam fechadas nesta terça-feira após disparos em frente ao prédio da embaixada americana em Ancara durante a noite. A representação diplomática fica perto da galeria onde Karlov foi morto, e a polícia deteve um homem durante o incidente, segundo a imprensa estatal da Turquia. / AP e REUTERS

 

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