Turquia suspeita que avião levava armas para Síria

Caças turcos forçam aeronave da Syrian Air que partiu da Rússia a aterrissar em Ancara; chanceler não divulga conteúdo encontrado

ANCARA, O Estado de S.Paulo

11 de outubro de 2012 | 03h11

Caças turcos obrigaram ontem um avião de passageiros sírio que viajava de Moscou a Damasco a pousar em Ancara, suspeito de carregar equipamento militar. Segundo o Ministério de Relações Exteriores da Turquia, a aeronave violou as regras da aviação civil. O chanceler turco, Ahmet Davutoglu, disse que a decisão de interceptar a aeronave foi acertada, mas não confirmou o conteúdo encontrado. Jornais turcos disseram tratar-se de equipamento de comunicação militar. A confirmação colocaria a política externa russa em uma saia-justa, em momento em que a comunidade internacional pressiona o regime de Bashar Assad.

O Airbus A320 da Syrian Air foi interceptado por dois caças F-16 assim que entrou em espaço aéreo turco e foi escoltado até o Aeroporto de Esenboga, nos arredores de Ancara. "Há regras de aviação civil que exigem a declaração clara da carga do avião", disse Davutoglu, de Atenas, ao canal TGRT. "Recebemos a informação de que o avião carregava equipamento que viola essas regras. Se isso se provar correto, cumpriremos o que é requerido pelas leis internacionais."

Segundo o chefe da agência de aviação civil turca, Bilal Eksi, havia 37 pessoas a bordo do avião. O Aeroporto de Vnukovo, em Moscou, informou que um voo saiu de lá com destino a Damasco ontem, mas não confirmou se a aeronave é a mesma interceptada na Turquia.

O chanceler turco afirmou que os passageiros e a tripulação do avião foram bem tratados ao desembarcar. Eles receberam lanches e reembarcariam assim que o avião fosse liberado. Davutoglu disse também que em razão da insegurança do espaço aéreo da Síria, que atravessa uma guerra civil, aviões turcos estão impedidos de sobrevoar o país.

Autoridades turcas temem também risco de retaliações por parte de Damasco. Na Síria, funcionários dos ministérios da Informação e das Relações Exteriores não comentaram a interceptação.

Tensão. O episódio aumentou ainda mais o grau de tensão entre os dois países, alto desde a semana passada, quando um ataque sírio na fronteira matou cinco civis turcos. A Turquia, outrora aliada de Assad, abriga líderes do movimento rebelde contra o ditador e fornece armas para os dissidentes. Além disso, 100 mil refugiados sírios vivem atualmente do outro lado da fronteira.

Após as mortes dos civis, o Parlamento da Turquia autorizou o Exército a retaliar ataques vindos da Síria. Ontem, novos confrontos entre rebeldes e tropas de Assad no vilarejo sírio de Azamarin foram ouvidos do lado turco da fronteira. Civis feridos no confronto foram transportados para a Turquia por meio de balsas que atravessaram o rio Orontes. O general turco Necdet Ozel, em visita à fronteira com a Síria, disse ontem à imprensa que se os ataques continuarem a resposta turca será "ainda mais forte". "Responderemos. E se continuar, responderemos com mais força", declarou à agência Dogan.

Também ontem, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Leon Panetta, informou ter mandado tropas para a fronteira da Síria com a Jordânia. O intuito da medida, segundo o chefe do Pentágono, é aumentar a capacidade militar jordaniana caso a guerra civil síria também afete seu território. A decisão pode aumentar a chance de um envolvimento maior dos EUA no conflito.

Mortes. Enquanto as tensões com a Turquia crescem, a violência interna continua na Síria. Em Alepo, a maior cidade do país, rebeldes e soldados leais a Assad trocaram tiros perto de uma mesquita do século 13, no centro histórico da cidade.

Mais cedo, o Exército Sírio Livre da Síria (ESL) tomou o controle da estratégica cidade de Maaret al-Numan, na província de Idlib. Por lá, passa uma estrada que liga Alepo a outro importante foco opositor, a cidade de Homs, no centro do país. / AP e NYT

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