Turquia tem manifestações por melhores condições de trabalho em minas

Assessor de Erdogan causou revolta ao agredir parente de um dos mineiros mortos na explosão em Soma

O Estado de S. Paulo,

15 Maio 2014 | 17h23

Assessor de Erdogan chuta parente de mineiro morto em Soma - Foto: AP

ISTAMBUL - O acidente em uma mina de carvão na cidade turca de Soma, que deixou 283 mortos, causou protestos em dezenas de localidades do país, desde o local da tragédia até Istambul, Ancara e Izmir para denunciar as condições de trabalho nas minas de carvão privatizadas.

Cinco dos maiores sindicatos do país, todos eles ligados à oposição, convocaram uma greve geral para esta quinta e pediram que os cidadãos vestissem roupas pretas ou utilizassem um laço dessa cor em sinal de solidariedade às vítimas.

Uma das manifestações reuniu cerca de 20 mil pessoas em Esmirna e terminou com vários sindicalistas hospitalizados. Para conter os manifestantes, a polícia usou canhões de água e gás lacrimogêneo. Vários manifestantes, entre eles o presidente do sindicato Confederação de Sindicatos Operários Revolucionários (DISK), Kani Beko, perderam a consciência e tiveram que ser levados de ambulância a um hospital próximo.

Em outro ponto de Istambul, a polícia bloqueou uma manifestação sindical e isolou uma importante via do bairro de Besiktas para evitar que a passeata seguisse adiante. "Não é acidente, é assassinato", cantavam os manifestantes, em referência à redução das medidas de segurança na mina de carvão de Soma.

Em Soma, a revolta da população aumentou após a noite de quarta-feira, quando um assessor do primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, agrediu um parente de um dos mineiros mortos. Yousef Yerkel acompanhava o premiê em uma visita ao local do acidente e foi fotografado agredindo o homem.

A imagem do homem caído no chão após ser controlado por dois seguranças de Erdogan e sendo chutado por Yerkel foi reproduzida nas redes sociais. O assessor confirmou à imprensa que era ele nas fotografias e prometeu explicar o incidente "em breve".

Os parentes das vítimas também ficaram revoltados com a fala de Erdogan sobre o caso. Ele disse que um acidente de mineração é "algo habitual" e "inevitável", citando vários exemplos da Inglaterra do século XIX e da China e Índia em meados de século passado.

Sobreviventes. As chances de se encontrar sobreviventes dentro da mina são pequenas, informou nesta quinta o ministro de Energia turco, Taner Yildiz. Segundo ele, o trabalho de resgate é dificultado pelo "acúmulo de gás" e porque ainda existem focos de incêndio dentro da mina.

"Nas últimas 12 horas não foi possível resgatar ninguém com vida", afirmou o ministr, que se negou a dar uma estimativa final do número de mortos na tragédia. A imprensa turca diz que o número total ficará em cerca de 350.

A Turquia tem o pior índice de acidentes no trabalho da Europa, com uma média de três mortes por dia, e a mineração é, proporcionalmente, o setor mais afetado. Em média, 80 operários morrem por ano em acidentes nas minas turcas, o que equivale a um de cada mil trabalhadores, segundo dados de um estudo universitário recente./ EFE

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