Turquia tem protestos a favor de curdos

Nove pessoas morreram nas manifestações, que também ocorreram em vários outros países da União Europeia

ANCARA, O Estado de S.Paulo

08 de outubro de 2014 | 02h03

Pelo menos nove pessoas morreram e dezenas ficaram feridas em protestos ontem em várias cidades da Turquia, segundo veículos de comunicação locais. As mortes resultaram de confrontos entre policiais e manifestantes que foram às ruas para expressar apoio às minorias curdas que vêm sendo perseguidas pelo Estado Islâmico (EI) em seu avanço sobre o norte do Iraque e da Síria.

As tensões são especialmente fortes na Turquia, onde curdos há muito vivem em desacordo com o governo e a violência na Síria tem grandes reflexos.

Cinco pessoas foram mortas em Diyarbakir, a maior cidade curda na região sudeste do país. Um homem morreu em Varto, na Província de Mus, na região leste. Duas pessoas morreram na Província de Sirt e outra na cidade de Batman.

O ministro do Interior, Efkan Ala, pediu o fim dos protestos. "Violência não é a solução. Violência gera vingança. Essa atitude irracional deve ter fim imediatamente", disse ele.

Manifestantes curdos realizaram protestos em várias cidades da Europa, pedindo ajuda mais efetiva dos países do continente para combater o avanço do EI sobre a cidade síria de Kobani, também conhecida pelo nome árabe, Ayn al-Arab, perto da fronteira com a Turquia.

Os manifestantes afirmam que as medidas adotadas pelos países europeus para combater o EI não são suficientes, apesar de algumas nações estarem armando os curdos ou bombardeando os extremistas. Alguns chegaram a acusar o governo turco de estar colaborando com os militantes radicais.

Em outros países da Europa, centenas de milhares de curdos se mobilizaram pelas redes sociais para organizar manifestações pela causa.

Em Bruxelas, cerca de 50 manifestantes quebraram uma porta de vidro, ultrapassaram uma barreira policial e conseguiram entrar no Parlamento Europeu. Depois que entraram, foram recebidos pelo presidente do Parlamento, Martin Schulz, que prometeu discutir a questão com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e líderes da União Europeia.

Na Alemanha, que possui a maior população curda do oeste europeu, cerca de 600 pessoas protestaram em Berlim. Em Frankfurt, entre 500 e 600 manifestantes marcharam do consulado da Turquia até o consulado dos Estados Unidos.

Os curdos também ocuparam pacificamente o Parlamento holandês durante horas na noite de segunda-feira e se encontraram com congressistas para pressionar o governo a tomar mais ações contra os insurgentes islâmicos. A Holanda já enviou seis caças F-16 para bombardear milícias do EI no Iraque, mas o governo diz que não prevê a realização de ataques em território sírio.

A França também ataca posições do EI no Iraque, mas não na Síria, com receio das implicações internacionais de agir diretamente contra o governo do presidente Bashar Assad. Os curdos protestaram durante a noite de segunda-feira no Parlamento da França e planejam novas manifestações para os próximos dias. / AFP e AP

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