Tutu homenageia Mandela, que segue internado

Estado de saúde do ex-presidente sul-africano é grave; ícone da luta contra o apartheid tem infecção pulmonar e está em tratamento intensivo

Johannesburgo, O Estado de S.Paulo

11 Junho 2013 | 02h10

O arcebispo sul-africano Desmond Tutu, Prêmio Nobel da Paz em 1984, homenageou ontem o maior ícone da luta contra o apartheid, Nelson Mandela, de 94 anos, internado em estado grave em um hospital de Pretória. "Agradecemos a Deus pela dádiva de Mandela e desejamos força a sua família", disse Tutu, em um comunicado.

Mac Maharaj, porta-voz da presidência, disse que Mandela estava "sob tratamento intensivo". De acordo com ele, os médicos estão fazendo de tudo para que "Madiba se sinta confortável".

Ontem, o presidente sul-africano, Jacob Zuma, quebrou o silêncio dos últimos dias e pediu ao país que reze pelo líder. "O estado de saúde do ex-presidente da África do Sul não sofreu alteração", anunciou a presidência, em nota.

"O ex-presidente Nelson Mandela permanece hospitalizado e seu estado é estável. Madiba foi internado no sábado, 8 de junho de 2013, para receber atendimento em um hospital de Pretória em razão de uma infecção pulmonar."

O ícone da luta contra o apartheid completará 95 anos no dia 18 de julho. Em dois anos e meio, esta é sua quarta internação por problemas pulmonares, além de uma passagem pelo hospital para a realização de exames.

A internação, desta vez, parece mais grave e vem causando comoção na África do Sul. "Mandela encarcerado", escreveu ontem o jornal The Star, relatando uma suposta decisão da família de proibir visitas ao quarto de Mandela.

Sem citar fontes, a publicação declarou que "compreende" que visitantes sejam barrados em um "momento crítico". Na mesma reportagem, são citadas "três importantes autoridades do governo" que descrevem o estado de saúde do ex-presidente como "assustador".

Tuberculose. Mandela sofre de problemas respiratórios desde que contraiu tuberculose, durante os 27 anos como prisioneiro do governo segregacionista. A maior parte desse período foi passada na penitenciária de Robben Island, no litoral de Cidade do Cabo.

Mandela é admirado por ter liderado a luta contra o domínio da minoria branca na África do Sul e por ter promovido ativamente a causa da reconciliação racial quando assumiu o poder. Ele se tornou o primeiro presidente negro do país em 1994. Ele se retirou da vida pública dez anos depois e, desde então, apareceu pouquíssimas vezes diante das câmeras. Ele fez sua última aparição durante a Copa do Mundo de 2010, realizada na África do Sul.

Ontem, sua ex-mulher Winnie Madikizela-Mandela, de 76 anos, o visitou no hospital. Sua atual mulher, Graça Machel, cancelou uma viagem a Londres para ficar a seu lado. Jackson Mthembu, porta-voz do Congresso Nacional Africano (CNA), partido governista, disse ontem que o país "deveria se preparar para o pior". / REUTERS e AP

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