TV acusa Otan de prender dois repórteres no Afeganistão

A rede de televisão Al-Jazira acusou hoje a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) de tentar atrapalhar a cobertura da guerra no Afeganistão, após a Otan prender dois de seus câmeras esta semana. A emissora de TV sediada em Doha, que tem sido crítica com a Otan e com o governo do Afeganistão, afirma que os dois afegãos foram detidos por "uma tentativa da liderança da ISAF de suprimir sua cobertura abrangente do conflito". A ISAF é a força internacional da Otan no Afeganistão.

AE, Agência Estado

23 de setembro de 2010 | 15h19

A aliança militar disse, mais cedo nesta semana, que capturou uma pessoa suspeita de atuar fazendo propaganda para o Taleban, que havia participado de filmagens de ataques durante as eleições de sábado. A Al-Jazira identificou os jornalistas como Mohammad Nader, detido no sul da província de Kandahar, ontem, e Rahmatullah Nekzad, preso na segunda-feira na província de Ghazni, ao sul de Cabul.

As duas províncias, especialmente Kandahar, têm forte concentração de membros do Taleban, que tentam há anos expulsar as tropas estrangeiras e derrubar o governo do presidente Hamid Karzai. O governador de Kandahar, Toryalai Wesa, confirmou a prisão de Nader, dizendo que "nós estamos fazendo o melhor para libertá-lo o mais rápido possível".

A Al-Jazira acusa a força da Otan, que tem quase 150 mil soldados no Afeganistão, de cercear e ameaçar os funcionários da emissora, pressionando-a para "mudar sua linha editorial". A rede afirma estar comprometida a cobrir todos os lados da história no Afeganistão, incluindo o Taleban, a ISAF e o governo afegão. A Al-Jazira insistiu que os funcionários são inocentes e não têm vínculo com o Taleban.

A organização não-governamental (ONG) Repórteres Sem Fronteiras denunciou que outro jornalista afegão, Hojatullah Mujadadi, que trabalha para a estatal Rádio Televisão Afeganistão, foi preso no dia 18, quando ocorreram as eleições parlamentares. "Nos três casos, jornalistas trabalhando em províncias difíceis são tratados como criminosos perigosos", denunciou a entidade. As informações são da Dow Jones.

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