EFE/Cristian Hernández
EFE/Cristian Hernández

TV Caracol qualifica como 'dura e dolorosa' sua saída da Venezuela

Na noite de quarta-feira foi retirado na Venezuela o sinal da Caracol do serviço oferecido pelos operadores de cabo

O Estado de S.Paulo

24 Agosto 2017 | 21h14

BOGOTÁ - O diretor da Noticias Caracol, Juan Roberto Vargas, qualificou nesta quinta-feira, 24, como "dura e dolorosa" a saída do ar na Venezuela do sinal da emissora colombiana Caracol Televisión por ordem do governo do presidente Nicolás Maduro.

"A posição oficial da Caracol Televisión é de profunda dor porque estão tirando do ar o sinal de um canal que talvez seja um dos mais vistos na Venezuela", disse Vargas, que dirige os noticiários da emissora, em entrevista à agência EFE.

Na noite de quarta-feira foi retirado na Venezuela o sinal da Caracol do serviço oferecido pelos operadores de cabo.

Segundo o jornalista, a Caracol Televisión atuou na Venezuela "com a melhor boa-fé do mundo" e sempre "atendendo aos cânones do jornalismo de buscar todos os pontos de vista, incluindo o do governo que, obviamente, nunca fala conosco".

No entanto, Vargas reconheceu que o ocorrido é "a crônica de um fechamento anunciado" devido ao grande número de espectadores que assiste ao canal no país vizinho.

De fato, segundo comentou, "o próprio Maduro falou pelo menos em oito discursos da Caracol, dizendo que somos um meio da oligarquia, a serviço da ultradireita e tergiversamos o que acontece na Venezuela ".

"A história o julgará e evidentemente, como dizemos no nosso slogan quando informamos sobre a Venezuela, estão rumo a uma ditadura'", acrescentou.

Ainda que a Caracol Televisión não tenha recebido diretamente uma comunicação da Comissão Nacional de Telecomunicações (Conatel) da Venezuela sobre a decisão, Vargas declarou que circulou um texto desse órgão oficial.

No comunicado, segundo o diretor da Notícias Caracol, "dizem que saímos do ar porque incitamos a violência".

Finalmente, Vargas agradeceu a solidariedade expressada pelo presidente colombiano, Juan Manuel Santos, após saber da notícia, mas especificou que o canal "não quer nem confrontar nem se fazer de vítima".

"Mais vítimas são os venezuelanos que ficam sem fontes de informação, como têm ficado sem comida e sem democracia", considerou.

O ex-diretor do órgão regulador de telecomunicações na Venezuela, o chavista Andrés Eloy Méndez, disse hoje que a medida do organismo de tirar do ar a Caracol Televisión tem a ver com uma mensagem que transmitiram do ex-presidente mexicano, Vicente Fox, com fortes críticas ao governo da Venezuela. / EFE

 

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