TV chinesa se desculpa por incêndio que destruiu prédio

Emissora afirma que show de fogos ilegal causou chamas sem proporções de consumiu símbolo do 'boom' chinês

Agências internacionais,

10 de fevereiro de 2009 | 09h46

 A emissora estatal chinesa CCTV se desculpou nesta terça-feira, 10, por uma exibição de fogos não-autorizada que teria provocado o incêndio sem precedentes que destruiu uma torre de 30 andares no complexo que abrigará a nova sede da rede do canal, desenhado pelo arquiteto holandês Rem Koolhaas. O fogo, que deixou um bombeiro morto e outros feridos, foi contido depois de mais de cinco horas consumindo o Mandarin Oriental hotel.   Veja também:  Assista ao vídeo com o show de fogos na torre no YouTube   Galeria de fotos do incêndio   O fogo começou quando os moradores de Pequim bombardeavam o céu com fogos de artifício para celebrar o Festival da Lanterna, que marca o fim dos 15 dias de festas do ano-novo chinês. As chamas espalharam-se rapidamente pelo prédio. Segundo a agência estatal de notícias Xinhua, Luo Yuan, porta-voz do departamento de bombeiros de Pequim, afirmou que os fogos de artifício foram os responsáveis pelo fogo que destruiu o local. Segundo ele, a CCTV teria contratado uma companhia para o show de fogos de artifício. Vídeos no YouTube mostram a espetacular queima sobre o prédio no centro de Pequim.   "A CCTV contratou uma empresa de pirotecnia para soltar várias centenas de fogos de artifício" em uma espaço aberto, perto do Hotel Mandarin Oriental, que faz parte do complexo da CCTV, informou a Xinhua, citando um porta-voz da brigada de incêndio. Ele disse que os fogos de artifício, lançados em comemoração ao Festival da Lanterna, eram "muito mais poderosos e explosivos" do que os utilizados nas festividades de ano novo e, por isso, precisavam de autorização do governo municipal para serem usados. "Os donos da propriedade ignoraram os avisos da polícia de que este tipo de pirotecnia não é permitida". "Estamos muito tristes porque o incêndio causou grande perda da riqueza nacional", disse. "Pedimos desculpas aos vizinhos pelo trânsito e pela inconveniência causada pelo fogo."   O hotel Mandarin Oriental disse que sua propriedade, cuja inauguração estava prevista para este ano, contratou 60 pessoas, todas funcionárias de escritórios perto do hotel, vazios àquela hora. "A Mandarin Oriental assinou um contrato de longo prazo para administrar o hotel e não tem interesse na propriedade do prédio", disse, em um comunicado.   O fogo atingiu a torre batizada de Television Cultural Center (TVCC), que teria estúdios de gravação, um teatro com capacidade para 1.500 pessoas, cinemas digitais, salão de baile, local para exposições e um hotel cinco estrelas. O prédio que pegou fogo fica ao lado de uma das estruturas mais originais do mundo, formada por duas torres inclinadas e conectadas pela base e o topo, formando uma espécie de "loop" anguloso. O complexo, situado numa das áreas mais valorizadas de Pequim, seria inaugurado nos próximos meses.   O incêndio teve início no alto do edifício por volta das 20h30, mas a reação das autoridades foi lenta e confusa. A reportagem do Estado chegou ao local antes dos bombeiros. Os primeiros carros do Corpo de Bombeiros que chegaram ao local não eram equipados com escadas para levar a água aos andares mais altos e jatos potentes só começaram a ser vistos depois das 22h30. A polícia demorou para interromper o trânsito nas ruas ao redor do complexo e o local só foi isolado depois das 22h40, quando labaredas gigantescas consumiam o prédio de alto a baixo. Até o início da madrugada de terça-feira o governo não havia dado nenhuma informação sobre as prováveis causas do incêndio nem confirmado se há vítimas.   A intenção do governo chinês é transformar a CCTV em uma rede de alcance internacional, nos moldes da BBC britânica, e a nova sede faz parte do esforço de busca de prestígio para a emissora - totalmente sujeita à censura e aos interesses políticos das autoridades de Pequim. O complexo consumiu investimentos estimados em US$ 600 milhões. A torre destruída custou cerca de US$ 100 milhões.   Censura   A imprensa oficial chinesa ignorou o assunto até as 22h15, horário local, quando inúmeros internautas já haviam divulgado fotos e comentários sobre a destruição do prédio. As centenas de pessoas que se aglomeravam na frente da construção tiravam fotos e mandavam mensagens de celulares. Na medida em que a informação se espalhava, mais e mais pessoas se aglomeravam nas proximidades do complexo, que em razão de seu formato é chamado pela população de "cueca de ferro" - dakucha em chinês.   Na internet, a maioria dos comentários atribuía o incêndio aos fogos de artifício, o que faria do prédio um caso único de vulnerabilidade numa época em que a cidade fica tomada pelas explosões de rojões e foguetes. Normalmente, as autoridades chinesas exercem forte controle sobre o uso de pólvora e explosivos na periferia de Pequim, mas a restrição é relaxada durante as festas de ano-novo. A ideia original do governo chinês era utilizar a TVCC para as transmissões da CCTV durante a Olimpíada, mas o complexo não ficou pronto a tempo para o evento.   (Com Cláudia Trevisan, de O Estado de S. Paulo)

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