TV e web transformam jovens do Afeganistão

Apesar de somente 30% dos afegãos terem acesso a eletricidade constante, 60% têm celulares, abastecidos principalmente por placas de energia solar

CLÁUDIA TREVISAN, ENVIADA ESPECIAL / CABUL, O Estado de S.Paulo

15 de setembro de 2014 | 02h00

A televisão e a internet estão transformando o comportamento dos jovens em Cabul, mas sua influência na maior parte do país é reduzida. Apenas 30% da população do Afeganistão tem acesso a fontes de eletricidade permanentes, o que dificulta o uso de computadores e aparelhos de TV.

Apesar das limitações no fornecimento de energia, 60% dos afegãos possuem telefones celulares. Os aparelhos são carregados graças ao uso de pequenas placas de energia solar, cada vez mais populares na zona rural.

O acesso aos meios de comunicação passou por uma revolução desde 2001, o último dos seis anos de governo do Taleban, durante o qual havia apenas uma rádio, controlada pelo governo - música e imagens estáticas ou em movimento eram banidas. As mulheres foram proibidas de estudar e trabalhar e tiveram sua existência confinada à vida doméstica.

Distração. A empreitada midiática de maior sucesso é a emissora Tolo TV, que tem um canal de entretenimento e outro exclusivo de notícias, no qual há intensos debates e programas de humor político.

Novelas turcas e indianas mostram mulheres sem véu e com roupas insinuantes, enquanto os jovens exercitam seus talentos musicais no Afghan Star, a versão local do programa de revelação de cantores American Idol.

O programa afegão provocou comoção nacional em 2008, quando uma mulher ficou pela primeira vez entre os três finalistas - e foi eliminada.

Mulheres. A presença feminina não provoca mais crises e é comum que as candidatas se apresentem com o cabelo descoberto, mas com braços, pernas e colo escondidos.

Estudo divulgado pelo National Endowment for Democracy em 2012 disse que houve uma "explosão" de mídias no período de dez anos depois da queda do Taleban.

Segundo o levantamento, o Afeganistão tinha 175 estações de rádio FM, 75 canais de televisão, 4 agências de notícias, 7 jornais diários e centenas de outras publicações. O acesso à imprensa escrita é limitado em razão do elevado índice de analfabetismo: 43% dos homens e 20% das mulheres sabem ler e escrever.

Telefonia. O setor de telecomunicações afegão passou por sua própria "revolução" desde 2002. Foi o ano em que a primeira companhia - a AWCC - obteve autorização para operar com serviços GSM. De acordo com dados divulgados em 2012 pelo governo americano, a cobertura de telefonia fixa e móvel já chegava a 85% da população.

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