Dmitry Lovetsky/AP
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TV estatal cobre manifestação e surpreende

Emissoras alinhadas com o Kremlin quebram padrão de ignorar protestos contra o governo

MOSCOU, O Estado de S.Paulo

12 de dezembro de 2011 | 03h03

MOSCOU - Os espectadores foram brindados com uma visão curiosa quando sintonizaram no noticiário noturno da TV estatal russa no sábado. Imagens amplas de dezenas de milhares de pessoas que tinham se aglomerado numa praça central de Moscou para um protesto contra o Kremlin e o partido governista Rússia Unida e de grupos de cidadãos comuns pedindo "Novas eleições! Novas eleições!".

"Dezenas de milhares de pessoas saíram à rua para registrar seu desacordo com os resultados das recentes eleições parlamentares, que elas disseram que foram fraudadas em favor do Rússia Unida", o partido governista, anunciou Aleksei Pivovarov, um dos apresentadores do noticiário noturno na estação de televisão estatal NTV, no começo da transmissão de sábado.

Em suma, a televisão pública cobriu os protestos em grande parte tal como eles ocorreram - para a surpresa de muitos. Aliás, para muitos não está claro o que está exatamente ocorrendo na Rússia hoje em dia, e a virada na cobertura da televisão é apenas um motivo da confusão.

Por mais de uma semana, Moscou tem testemunhado alguns dos maiores protestos contra o Kremlin em anos. Mas, até sábado, a maioria dos canais do governo, se noticiava as manifestações, tendia a retratar os manifestantes como rebeldes.

"Na Rússia, há uma cultura da revolta", disse Vladimir Solovyov, um apresentador de televisão favorável ao Kremlin num programa de notícias noturno na Rossia 1. "E essa cultura termina em derramamento de sangue. Na Rússia não há uma cultura de lutar por seus direitos dentro do arcabouço da lei."

Os três principais canais de televisão controlados pelo governo deram destaque aos protestos. No entanto, notavelmente ausente em toda a cobertura, foi qualquer menção a Vladimir Putin - que praticamente nunca é mostrado sob uma luz negativa - embora, no protesto, ele tenha sido mais denunciado do que qualquer outro. Uma explicação importante para a mudança na cobertura certamente reside no peso da internet na sociedade russa. Com relatos circulando intensamente pelo Twitter e Facebook, para não mencionar agências noticiosas online, teria sido impossível ignorar o protesto. / NYT

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