Reprodução/freesakineh.org
Reprodução/freesakineh.org

TV iraniana exibe suposta imagem de Sakineh negando tortura

Mulher com rosto não identificado nega relatos de que teria sido forçada a dar entrevista anterior

BBC

16 de setembro de 2010 | 10h09

TEERÃ - Um canal estatal iraniano veiculou na quarta-feira, 15, uma entrevista onde uma mulher identificada como a iraniana Sakineh Mohammadi-Ashtiani, sentenciada à morte por adultério e cumplicidade em homicídio, declara não ter sofrido tortura e não ter sido forçada a ar uma entrevista semelhante a esta anteriormente.

 

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Em um boletim de notícias, o canal IRTV2 transmitiu uma reportagem sobre o caso de Ashtiani, contendo imagens de uma entrevista anterior, que foi ao ar no dia 12 de agosto.

Trechos da reportagem mostram uma mulher cujo rosto não pode ser identificado dizendo à câmera que não foi coagida por tortura a fazer os comentários contidos em sua primeira entrevista.

As declarações, no dialeto azari, são traduzidas para o persa por meio de legendas. "Não fui torturada de forma alguma. Estas são minhas próprias declarações. Ninguém me obrigou a aparecer diante das câmeras. Tudo o que estou dizendo são minhas próprias palavras", diz a mulher, identificada com as iniciais S.A.

A entrevista também faz alusão a relatos da mídia ocidental de que Ashtiani teria recebido 99 chibatadas após a publicação, por um jornal ocidental, de uma foto mostrando uma mulher sem o véu islâmico identificada como Sakineh.

O entrevistador afirma que a mulher na foto não é Sakinehe depois pede que ela confirme se recebeu ou não as 99 chibatadas. "Não, eu não confirmo. Tudo isso são mentiras e rumores", diz a mulher.

Sakineh foi condenada em 2006 por manter relações ilícitas com dois homens após ficar viúva, o que, segundo a lei islâmica, também é considerado adultério. Primeiramente a pena foi de 99 chibatadas, depois convertida em morte por apedrejamento e, posteriormente, alterada para enforcamento.

 

Em julho deste ano, seu advogado Mohammad Mostafaei tornou público o caso em um blog na internet, o que chamou a atenção da comunidade internacional. Perseguido pelas autoridades iranianas, ele fugiu para a Turquia, de onde buscou asilo político na Noruega.

 

O governo brasileiro ofereceu refúgio a Sakineh, o que foi rejeitado por Teerã. A pena de morte foi mantida por um tribunal de apelações, que acrescentou ao caso a acusação de conspiração para a morte do marido.

Anistia

 

A ONG de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional condenou o que qualificou de "confissões" televisionadas, dizendo que elas vêm sendo usadas repetidamente pelas autoridades para incriminar indivíduos sob custódia.

 

Comentando o caso, Hassiba Hadj Sahraoui, da Anistia Internacional, disse que "essas chamadas confissões fazem parte de um número crescente de confissões forçadas e declarações autoincriminatórias feitas por muitos presos no ano passado".

 

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Manouchehr Mottaki, disse que o apoio de países ocidentais a Sakineh tem motivações políticas e revela a prática de dois pesos e duas medidas.

 

Falando à agência oficial de notícias do Irã, Irna, o chanceler iraniano disse que países que violam direitos humanos em prisões como Guantanamo e Abu Ghraib não deveriam se colocar na posição de advogados dos direitos humanos.

 

Em alusão clara à oferta, pelo presidente Lula, de asilo para a iraniana no Brasil, Mottaki disse que criminosos não deveriam receber refúgio em outro país.

 

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