TV mostra imagens de turistas seqüestrados pelo ELN

A televisão colombiana veiculou hoje as primeiras imagens de sete estrangeiros seqüestrados há dois meses por guerrilheiros do Exército de Libertação Nacional (ELN). O vídeo mostra os turistas, que foram seqüestrados em Serra Nevada de Santa Marta, no norte da Colômbia, montados a cavalo, jogando cartas, tomando café e banhando-se em um ribeirão de águas cristalinas. "Tivemos que caminhar muito em locais que nem imaginávamos na Colômbia, passamos frio e fome e nos alimentamos com o que a terra nos dá", disse Asier Huegun Echeverría, um espanhol de origem basca de 29 anos. Ele mostrou à câmera uma espécie de rapadura, conhecida na Colômbia como "panela", alimento muito consumido no país por seu alto valor calórico. Afirmou que a "panela" é um dos principais alimentos fornecidos pelos guerrilheiros ao grupo de seqüestrados. "Quero fazer um pedido ao povo basco e ao resto da Europa: que paremos de olhar para nossos umbigos e para nossos problemas e olhemos para as pessoas que sofrem mais que nós", disse Echeverría. Os seqüestrados aparecem rodeados por guerrilheiros armados com fuzis, vestidos com uniformes camuflados e com lenços cobrindo o rosto. Ao fundo aparece uma bandeira rubro-negra do ELN. O vídeo foi gravado pela agência de notícias britânica Reuters e veiculado por todos os canais de TV da Colômbia. Junto a Echeverría estão quatro israelenses, uma alemã e um britânico. Outro turista inglês, Matthew Scott, escapou pouco depois do seqüestro, ocorrido em 12 de setembro passado, quando eles visitavam a Cidade Perdida, um assentamento indígena da era pré-colombiana em Serra Nevada, de frente para o mar do Caribe. Depois de assistir ao vídeo, o vice-presidente colombiano, Francisco Santos, comentou que o ELN "é responsável pela segurança, pela vida e pela saúde" dos seqüestrados. Afirmou também estar alegre pelo fato de os estrangeiros apresentarem bom estado de saúde e afirmou que "o governo está fazendo todo o esforço possível para eles sejam libertados". Questionado sobre a advertência feita por um chefe rebelde de executar os turistas caso os militares tentem um resgate, Santos afirmou que, neste caso, o ELN "estará dizendo que é assassino". O ELN, a segunda maior guerrilha da Colômbia, seqüestrou os turistas estrangeiros dentro da chamada "Operação Allende Vive", para recordar o ex-presidente chileno Salvador Allende nos 30 anos de sua morte. A guerrilha disse também que o seqüestro era um protesto contra o assassinato dos indígenas que vivem na Serra Nevada, vítimas de grupos paramilitares. O ELN prometeu libertar os seqüestrados, mas impôs diversas condições para fazê-lo, entre elas a presença de representantes internacionais, pedido rechaçado pelo governo colombiano para evitar que os rebeldes convertam o seqüestro em um "show internacional", segundo afirmou o presidente Alvaro Uribe.

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