Jim Lo Scalzo/EFE/EPA
Jim Lo Scalzo/EFE/EPA

TV proíbe apresentadores de chamarem Biden de ‘presidente eleito’

Comando da Fox News, emissora preferida dos conservadores americanos, pediu que âncoras, jornalistas e analistas mantivessem 'distância' do termo

Redação, O Estado de S.Paulo

06 de novembro de 2020 | 19h15

NOVA YORK - “Se Joe Biden vencer na Pensilvânia, a matemática é óbvia. Ele terá 284 votos no colégio eleitoral”, disse o apresentador Bill Hemmer nesta sexta-feira, 6, durante a programação da Fox News, a emissora de TV preferida dos conservadores americanos. Imediatamente, o âncora Bret Baier retrucou. “Aí então ele será o presidente eleito dos EUA.”

O diálogo chamou a atenção por uma razão. Horas antes, a CNN divulgou dois memorandos do comando da Fox News pedindo que seus apresentadores, jornalistas e analistas mantivessem “distância” do termo “presidente eleito”, em referência a Biden, caso ele chegue aos 270 votos no colégio eleitoral e encerre a disputa. Em vez disso, a direção da TV sugere expressões como “Biden tem votos suficientes no colégio eleitoral para vencer a presidência”.

Nos memorandos, o comando da Fox News cita explicitamente o esforço jurídico da campanha do presidente americano, Donald Trump, para contestar as eleições nos tribunais. “Não chamaremos Biden de presidente eleito. Nem usaremos qualquer um desses gráficos mirabolantes que dizem isso”, dizia uma das mensagens, de acordo com a CNN.

Segundo as mensagens, a posição da emissora é a de que Biden não será presidente eleito até que a eleição seja certificada por todos os Estados, o que pode levar mais de um mês, em razão de recontagens e ações legais.

Curiosamente, na noite da apuração, a Fox News foi uma das únicas empresas de mídia nos EUA a projetar uma vitória de Biden no Estado do Arizona. Outras TVs, como CNN, NBC e ABC, e jornais, como New York Times e Washington Post, preferiram manter cautela.

Por isso, o placar no colégio eleitoral atualmente é diferente, dependendo da fonte – 253 a 214 para Biden, para aqueles que ainda acham que a disputa está aberta no Arizona, e 264 a 214 para Biden, para quem considera que Trump não tem como virar o jogo no Estado, como é o caso da Fox News.

A decisão dos estatísticos da Fox News de projetar uma vitória para Biden no Arizona irritou analistas e apresentadores. Arnon Mishkin, chefe da equipe de especialistas, foi sabatinado ao vivo por Baier. “Mas você tem certeza?”, questionou o apresentador na noite de terça-feira. “Sim”, respondeu Mishkin.

Trump, assessores e alguns analistas da casa criticaram a Fox News. “Foi uma decisão precipitada”, disse o apresentador Sean Hannity. “É muito cedo”, afirmou Sarah Huckabee Sanders, ex-porta-voz do presidente. Alguns telefonaram para reclamar com os executivos da empresa. Jared Kushner, genro do presidente, chegou ao ponto de telefonar para o magnata Rupert Murdoch, dono do canal, para se queixar da decisão. / REUTERS 

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