TVs dos EUA adotam tom patriótico e ressaltam heroísmo

As maiores redes de televisão dos Estados Unidos entraram no clima de união nacional e adotaram um tom patriótico na cobertura dos efeitos do mega-ataque terrorista do dia 11. Depois que o New York Times cobrou explicitamente de George W. Bush uma postura de liderança forte e efetiva para o país diante do desafio da nação, as críticas feitas aos primeiros gestos indecisos do presidente cederam espaço a vinhetas que falam de guerra, resistência e coragem.A mudança ocorreu nesta sexta-feira, no mesmo momento em que se consolidava a perspectiva de um ataque militar dos Estados Unidos e seus aliados aos "responsáveis" pelos atos terroristas da terça-feira. A CNN substituiu seu fólio de tela - que identifica o assunto da cobertura - "America Under Atack" (América sob ataque) por America´s New War.NBC e ABC também fecharam o foco no poder dos norte-americanos, adotando termos como "coragem" e "força" em meio à tristeza que predomina nas ruas de Nova York e nas vigílias em homenagem às milhares de vítimas dos terroristas. Programas trazem entrevistas (muitas ao vivo) com parentes dos passageiros mortos nos aviões seqüestrados, com enfoque insistente no heroísmo que alguns demonstraram, principalmente no caso da aeronave que caiu perto de Pittsburgh.Tanto as TVs como os jornais sustentam que a causa mais provável da queda do Boeing 757 da United Airlines antes de atingir algum alvo (a Casa Branca, segundo se cogita) foi a reação dos passageiros contra os seqüestradores. A tese é baseada em relatos de telefonemas como o que fez Thomas Burnett, 38 anos, a sua esposa momentos antes da queda do aparelho. "Eu sei que todos vão morrer, mas há entre nós três pessoas que vão tentar evitar isso", disse. Mas há a hipótese, admitida pelo FBI, de que o Boeing tenha sido abatido pela Força Aérea depois de confirmada a presença dos seqüestradores e a mudança de rota.Mídia e público se completam na onda nacionalista, com uma superesposição de bandeiras dos EUA. As fábricas produzem intensamente, em tecido, papel e plástico, e por toda parte os norte-americanos procuram exibir o símbolo nacional, muitas vezes ao lado de cartazes e faixas exultando o orgulho dos compatriotas - mas também apregoando idéias xenofóbicas e racistas.O ponto alto, na sexta-feira, foi a visita de Bush ao que restou do World Trade Center, em Nova York. Sobre um monte de escombros, com uma bandeirinha na mão e um megafone na outra, o presidente discursou aos bombeiros, policiais e voluntários que trabalham no resgate, instigando a garra patriótica e prometendo vingança aos que humilharam o sistema de defesa e causaram a grande dor ao país. Parou de falar algumas vezes para ouvir sua audiência gritar em tom de torcida: "U-S-A! U-S-A! U-S-A!"

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