TVs norte-americanas sofrem para mostrar a guerra

?Esta não é uma guerra para a televisão.? Foi o que disse no ar o jornalista Aaron Brown, da CNN, ao desculpar-se pelas péssimas imagens, granuladas em preto e verde, dos bombardeios norte-americanos no Afeganistão. Sem contar com boas imagens, como as dos ataques terroristas ao World Trade Center, as emissoras de TV norte-americanas têm dificuldade de fazer uma cobertura completa da guerra. A grande vitória na cobertura é a emissora árabe de notícias Al-Jazeera, que virou motivo de briga entre as norte-americanas. A CNN ainda investe em imagens de videophone feitas de uma área controlada pela Aliança do Norte, de oposição ao Taleban ao norte da capital Cabul. O que aparece na tela é apenas uma eventual luz das explosões. Outras emissoras de TV ? como a NBC e MSNBC ? também têm câmeras com ?visão noturna? no Afeganistão, mas a imagem é sempre a mesma e o uso já começou a ser deixado de lado. Entrevistas com comentaristas, mapas, infográficos e reportagens do Paquistão e dos territórios controlados pela Aliança do Norte são as outras opções, usadas por canais como a ABC, a CBS e a Fox News. Furo De resto, é esperar por ?furos? , como As imagens da Al-Jazeera, que vem sendo chamada de ?CNN? do mundo árabe, baseada no Qatar, foram motivo de uma disputa no início desta semana. A CNN afirma que tem os direitos exclusivos de transmitir qualquer imagem da Al-Jazeera por até seis horas depois de ela ir ao ar originalmente. Cartas com ameaças de processo foram distribuídas pela emissora de Atlanta para suas concorrentes depois que a fita com as imagens de Osaba bin Laden, transmitidas para o mundo inteiro pouco tempo depois do início dos bombardeios, domingo, foi usado em ?pool? por todo mundo. O canal de notícias informou que não vai processar ninguém quando a reportagem em questão tiver muita importância e interesse nacional. Com relação a outros tipos de reportagens, a CNN deixou claro que vai para a Justiça em caso de violão de seus direitos de exclusividade. Processos A Al-Jazeera ? o único serviço de TV com repórteres na área do Afeganistão controlada pelo Taleban ? também avisou em um comunicado oficial que não vai processar as emissoras que usaram as imagens no domingo, mas pretende fazê-lo no futuro. A cobertura do início da guerra, que tomou vários horas da programação normal de domingo em emissoras como ABC, CBS e NBC, já virou apenas flashes esporádicos na segunda-feira. A maior parte das informações é dada nos noticiários e em programas especiais), como ?20/20? e ?Nightline?, ?60 Minutes? e ?48 Hours?, ?Dateline? e outros. Uma mistura de reportagens investigativas e histórias de ?interesse humano? têm tomado sido a fórmula dos programas, que ainda fazem análises sobre os ataques terroristas e trazem histórias especiais de vítimas e sobreviventes. Matérias sobre o Afeganistão também estão em alta. Há reportagens até sobre o dia-a-dia dos repórteres que cobrem a guerra no território da Aliança do Norte, como a transmitida esta semana pela afiliada local da ABC em Nova York. A CNN, por exemplo, já mostrou duas vezes o documentário ?Beneath the Veil?, sobre as restrições à liberdade das mulheres no país. Para esta quinta-feira, o âncora da ABC Peter Jennings prepara um especial de uma hora sobre a história política do mundo árabe. Leia o especial

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