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TVs venezuelanas ignoram protestos contra Maduro

Após fim de emissoras independentes, críticos falam em 'blecaute' da mídia contra a oposição; governo ataca imprensa internacional

Reuters/O Estado de S.Paulo

20 de fevereiro de 2014 | 02h05

CARACAS - Doze anos depois de terem participado de forma crucial numa tentativa de golpe de Estado, as redes de TV da Venezuela fazem uma cobertura tão tímida dos atuais protestos contra o governo que críticos falam sobre um "blecaute" da mídia que estaria ajudando o governo.

Os canais, que abertamente estimularam a população a ir às ruas em 2002 e ajudaram a provocar o golpe que brevemente derrubou o então presidente Hugo Chávez, dão agora atenção mínima para as manifestações contra o governo, nas quais pelo menos cinco pessoas morreram. Quando as forças de segurança prenderam o líder da oposição Leopoldo López, na terça-feira, levando dezenas de milhares de simpatizantes às ruas, as redes de TV, que por anos cobriram todos os passos da política venezuelana, não realizaram coberturas ao vivo.

A Guarda Nacional Bolivariana dispersou na noite de ontem em Caracas mais uma manifestação de estudantes contrários ao governo do presidente Nicolás Maduro. Concentrados na Praça Altamira, na zona leste da capital, os manifestantes ergueram barricadas incendiando sacos de lixo para impedir o avanço da guarda, que lançou bombas de gás lacrimogêneo.

Agrupados na Avenida Francisco de Miranda, os estudantes picharam um muro com a frase "Não à ditadura" e quebraram a porta de metal de um estacionamento para usar de escudo contra o avanço dos policiais. Muitos pintaram o rosto de branco, outros escondiam os rostos e portavam coquetéis molotov, além de pedaços de pau.

Maduro, eleito no ano passado depois da morte de Chávez, rebate as acusações de que está cerceando a liberdade de expressão. Maduro foi criticado por grupos de liberdade de imprensa, como o Repórteres Sem Fronteiras, por ordenar que o canal de notícias colombiano NTN24 fosse retirado do sinal a cabo, depois que ele transmitiu ao vivo a violência.

A reviravolta na mídia televisiva começou com a medida de Chávez, em 2007, de tirar a RCTV do ar, ao negar a renovação de sua licença. O canal de notícias Globovisión, que era de oposição, mudou de diretoria e de linha editorial. O Twitter é agora a principal fonte para as notícias em tempo real. Os venezuelanos reclamam que ficam perdidos em meio a tuítes com informações falsas ou antigas.

A ministra das Comunicações, Delcy Rodríguez, condenou a imprensa internacional por uma "distorcida" cobertura da violência, dizendo que fotos do conflito no Egito estão sendo tuitadas por meios de comunicação como se tivessem sido tiradas na Venezuela. "Estamos preocupados com a manipulação de imagens pela mídia internacional", afirmou a ministra. Ela disse que um jornalista da NTN24 mostrou fotos de bebês dormindo em caixas de papelão em Honduras como se fossem cenas da Venezuela.

Dois importantes jornais de oposição mantêm destaque aos problemas econômicos do país. No entanto, jornalistas associados a um outro diário bastante lido, o Últimas Noticias, escreveram uma carta criticando a mudança de última hora na cobertura da violência. / COLABOROU LUIZ RAATZ

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