TVs vetam exibir vídeo de ataques em Toulouse

Imagens dos assassinatos de 3 alunos e 1 professor de escola judaica e de 3 soldados foram enviadas pelo autor dos crimes antes de cerco policial

ANDREI NETTO , CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

28 Março 2012 | 03h05

A rede de TV Al-Jazeera, do Catar, e as demais emissoras com atuação na França decidiram ontem não divulgar as imagens dos atentados terroristas que mataram sete pessoas entre 11 e 21 de março em Toulouse e Montauban, no sul do país. O apelo havia sido feito pelo presidente Nicolas Sarkozy e pelo Conselho Nacional do Audiovisual (CNA), preocupados com a repercussão pública dos vídeos gravados por Mohamed Merah.

A Al-Jazeera havia recebido em seu escritório em Paris um pen drive com a gravação feita pelo terrorista. O vídeo é editado e acompanhado por música e cânticos religiosos, além de leituras de versões do Alcorão, reunidos como em um clipe. Na tarde de ontem, depois de anunciar pelo Twitter que "refletia" sobre a veiculação das imagens, a direção da Al-Jazeera informou que decidira pela não publicação, em respeito ao apelo lançado pelo CNA, o órgão que acompanha o comportamento ético das emissoras de TV e rádio da França.

"A decisão tomada pela Al-Jazeera é razoável", elogiou Sarkozy, que voltou a ameaçar terroristas, em meio à sua campanha eleitoral. "Eu garanto que se as imagens tivessem sido desviadas para televisões que pertencem ou são próximas a organizações que propagam ideias terroristas não hesitaríamos em fazer o necessário para impedir a divulgação ."

Em lugar de difundir o vídeo, a rede do Catar entregou a cópia à Subdireção Antiterrorista da Polícia Judiciária, um dos órgãos que investiga os crimes. A data do envio, supostamente realizado quando o cerco policial já havia começado, levou os investigadores a concluir que Merah teria sido auxiliado pelo irmão Abdelkader ou outro cúmplice.

Enquanto os atentados de Toulouse seguem repercutindo na França, a Comissão Nacional Consultiva dos Direitos Humanos (CNCDH), órgão que estuda denúncias de discriminação no país, publicou ontem relatório revelando que o número de agressões cometidas contra pessoas de confissão muçulmana aumentou 33,6% em 2011 - antes, portanto, dos atentados. Segundo a pesquisa, o preconceito vinha recuando desde 2005, mas a tendência se inverteu em 2010.

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