Reuters
Reuters

Twitter como bengala de Trump

Desde que chegou ao poder, o presidente dos EUA usou seus posts para atacar adversários

Cláudia Trevisan, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S. Paulo

12 Fevereiro 2017 | 05h00

WASHINGTON - As propostas de Donald Trump podem ter encontrado os limites da realidade, mas o seu Twitter, não. Desde que chegou ao poder, o presidente dos EUA usou seus posts de até 140 caracteres para atacar juízes, Arnold Schwarzenegger, o Irã, o México, senadores do seu partido, a imprensa, os que protestam contra seu governo e a empresa que decidiu deixar de vender a linha de produtos de sua filha, Ivanka.

Fora da rede social, ele passou a ignorar a realidade quando ela não se ajustava à narrativa de que os EUA e o mundo estão mergulhados na violência e enfrentam uma ameaça sem precedentes do terrorismo. Em duas ocasiões, na semana passada, Trump disse que a imprensa não dava atenção ao fato de que o índice de criminalidade no país está no mais alto patamar em 45 anos – ele está no mais baixo em quatro décadas. 

O presidente também afirmou que a imprensa não cobre atentados terroristas e a Casa Branca apresentou uma lista de 78 deles que não teriam recebido o espaço merecido. Entre eles, estavam os atentados de Paris, Nice, Orlando, San Bernardino e Bruxelas, que tiveram ampla cobertura. “Nunca tivemos um presidente que tuitasse dessa forma e fosse tão crítico aos que se opõem a ele”, disse George Edwards, cientista político da Universidade Texas A&M. “Também não há precedente de um presidente que mentisse de maneira regular e tivesse relação tão despreocupada com a verdade.” 

A expressão que acabou definindo a relação do governo com a verdade – os “fatos alternativos” – foi cunhada de maneira involuntária por Kellyanne Conway, uma das principais assessoras, encarregada de defender a tese de que o público da posse havia sido o maior da história – ainda que fotos, dados sobre uso de metrô e estimativa de especialistas indicassem o contrário.

 

Mais conteúdo sobre:
Donald Trump Estados Unidos

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.