Lam Yik Fei/The New York Times
Lam Yik Fei/The New York Times

Twitter suspende 986 contas de autoridades chinesas contra protestos em Hong Kong

Perfis publicavam propaganda para 'minar a legitimidade e as posições políticas' de manifestantes no território chinês, segundo comunicado; Facebook também desarticulou perfis, em menor número

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de agosto de 2019 | 17h45

SÃO FRANCISCO, EUA - O Twitter suspendeu nesta segunda-feira, 19, cerca de 986 contas vinculadas a autoridades chinesas que publicaram conteúdo na rede social para desacreditar e dividir os manifestantes anti-governo de Hong Kong.

Segundo comunicado da plataforma, a China utilizou cerca de mil contas para desmobilizar os atos no território sob seu comando, que já duram mais de dois meses.

Segundo o texto do Twitter, as contas canceladas “estão coordenadas no marco de uma operação respaldada pelo Estado” chinês para “minar a legitimidade e as posições políticas” dos manifestantes.

“Identificamos amplos conjuntos de contas que se comportavam de forma coordenada a fim de amplificar as mensagens sobre as manifestações em Hong Kong”, diz o texto.

Um funcionário do Twitter falou em anônimato à agência Associated Press que a atividade das contas chinesas foi entregue ao FBI para investigações posteriores.

O órgão também foi responsável por investigar atividades do governo da Rússia por intervenção na eleição presidencial dos EUA de 2016, por meio das redes sociais.

Segundo o funcionário, o Twitter atribuiu a campanha contra manifestantes em Hong Kong a duas contas falsas chinesas e outras inglesas que fingiam ser veículos de imprensa sediados no território.

Os manifestamtes eram descritos como criminosos violentos, em uma campanha com o objetivo de mudar a opinião pública ao redor do mundo.

Também foram identificadas contas no Facebook com os mesmos objetivos, mas em menor número. A rede social também anunciou que desativou sete páginas, três grupos e cinco perfis em sua plataforma pelos mesmos motivos, por estarem “vinculados a indivíduos associados ao governo de Pequim”.

Tanto o Facebook quanto o Twitter são proibidos na China. Os habitantes do país utilizam plataformas semelhantes para se comunicar, desenvolvidas pelo governo. As redes sociais, porém, são permitidas em Hong Kong.

Em seu comunicado, o Twitter lembrou da proibição, afirmando que os agentes chineses precisaram recorrer a um VPN (uma rede virtual que permite contornar as restrições para operar em uma determinada área geográfica).

Outros agentes usaram endereços IP desbloqueados para essa finalidade.

A rede social afirma que suspendeu um total de 200 mil contas, algumas antes mesmo de se tornarem ativas. Tais contas eram responsáveis por interagir e compartilhar o conteúdo das contas principais. 

O Facebook disse que cerca de 15,5 mil contas estavam seguindo uma ou mais das páginas que acabaram de ser deletadas de sua plataforma.

Mesmo com a anulação das contas, o Twitter afirma que veículos de notícia estatais ainda podem atuar na rede social, mas sem a opção de pagar por anúncios.

Os anúncios pagos no Twitter e em outras redes sociais aparecem para o usuário mesmo que ele não siga a página ou perfil, estratégia utilizada pelas contas desativadas para alcançar pessoas de fora da sua rede. / AFP e AP

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