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Mandel Ngan/AFP
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Twitter suspende permanentemente conta de Trump; presidente diz que vai criar nova rede

Empresa analisou postagens recentes do republicano e concluiu que há risco de mais incitação à violência; republicano usou conta oficial da presidência para responder

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de janeiro de 2021 | 20h39
Atualizado 08 de janeiro de 2021 | 23h05

WASHINGTON - O Twitter suspendeu nesta sexta-feira, 8, permanentemente a conta de um de seus mais contumazes usuários, o presidente dos EUA, Donald Trump, que reagiu afirmando que a empresa "conspira" para "silenciá-lo" e prometeu criar uma nova rede social. A empresa afirmou que as mensagens do republicano poderiam aumentar o risco de violência. No último mês, de acordo com o jornal Washington Post, o presidente tuitou em média 18 vezes por dia.

"Após uma análise detalhada dos tweets recentes da conta #realDonaldTrump e do contexto em torno deles, suspendemos permanentemente a conta devido ao risco de mais incitação à violência", disse a empresa. "No contexto dos eventos horríveis desta semana, deixamos claro na quarta-feira que violações adicionais das Regras do Twitter potencialmente resultariam neste mesmo curso de ação."

Trump usou a conta oficial da presidência dos Estados Unidos, @POTUS, para escrever sua mensagem. "O Twitter foi cada vez mais restringindo a liberdade de expressão, e hoje à noite os funcionários do Twitter se coordenaram, como os democratas e a esquerda radical, para suspender minha conta de sua plataforma, para silenciar a mim e VOCÊS, os 75.000.000 grandes patriotas que votaram em mim", disse ele em uma série de tuítes. As postagens foram excluídas rapidamente.

Na quarta-feira, o Twitter havia bloqueado temporariamente a conta de Trump após o cerco ao Capitólio.

Por muito tempo, o Twitter isentou Trump e outros líderes mundiais de suas regras contra ataques pessoais, discurso de ódio e outros comportamentos. Mas em uma longa explicação postada em seu blog nesta sexta-feira, a empresa disse que os tuítes recentes de Trump representaram uma glorificação da violência quando lidos no contexto da invasão do capitólio e de planos para futuros protestos armados que circulam online.

Nos tuítes, Trump afirmou que não comparecerá à posse de Biden e se referiu a seus apoiadores como "Patriotas Americanos", dizendo que eles terão "uma VOZ GIGANTE no futuro".

O Twitter disse que essas declarações "provavelmente inspirarão outros a replicar os atos violentos ocorridos em 6 de janeiro de 2021, e que há vários indicadores de que estão sendo recebidas e entendidas como incentivo a fazê-lo".

A decisão é significativa porque o Twitter tem sido a plataforma preferida de Trump desde que ele iniciou a campanha eleitoral, em 2016. O presidente usa a ferramenta há mais de uma década para se comunicar diretamente com os americanos. No último mês, de acordo com o The Washington Post, o presidente tuitou em média 18 vezes por dia.

Trump tinha mais de 88 milhões de seguidores. O republicano usava sua conta para anunciar decisões políticas, desafiar oponentes, insultar inimigos, elogiar aliados e espalhar desinformação. Foi principalmente através da plataforma que ele ganhou proeminência política.

Pressão interna

De acordo com o Washington Post, centenas de funcionários do Twitter exigiram em uma carta escrita esta semana que os líderes da empresa suspendessem permanentemente a conta de Trump após a invasão, chamando a resposta da empresa de insuficiente. Os funcionários também solicitaram uma investigação sobre os últimos anos de ações corporativas que levaram ao papel do Twitter na insurreição.

Em uma carta interna endereçada ao presidente-executivo Jack Dorsey e seus principais executivos vista pelo The Washington Post, cerca de 350 funcionários pediram um relato claro do processo de tomada de decisão da empresa em relação aos tuítes do presidente no dia da invasão.

“Apesar de nossos esforços para servir ao debate público, como megafone de Trump, ajudamos a alimentar os eventos mortais de 6 de janeiro”, escreveram os funcionários. “Solicitamos uma investigação sobre como nossas políticas levaram à amplificação de sérias ameaças antidemocráticas. Devemos aprender com nossos erros para evitar causar danos futuros”.

"Desempenhamos um papel sem precedentes na sociedade civil e os olhos do mundo estão sobre nós. Nossas decisões esta semana irão cimentar nosso lugar na história, para melhor ou para pior", acrescentaram.

Em um comunicado, o porta-voz do Twitter, Brandon Borrman, escreveu: "O Twitter incentiva um diálogo aberto entre nossa liderança e os funcionários, e damos as boas-vindas aos nossos funcionários que expressem seus pensamentos e preocupações da maneira que lhes pareça certa".

Na quarta-feira, a empresa inicialmente apenas rotulou os tuítes de Trump como "informação contestada". Mas um vídeo subsequente do presidente - pedindo calma e continuando a espalhar desinformação - levou a empresa a intensificar suas ações de fiscalização.

No fim, o Twitter bloqueou o acesso do presidente à conta pela primeira vez, exigindo que ele excluísse seus tuítes ofensivos - depois esperasse 12 horas - para recuperar o acesso. Isso aconteceu na manhã de quinta-feira, e Trump emitiu seus primeiros comentários públicos no site naquela noite. O Twitter disse que suspenderia Trump permanentemente se ele continuasse a quebrar suas regras, colocando os usuários em risco.

Depois do primeiro bloqueio da conta de Trump pelo Twitter, o presidente-executivo do Facebook, Mark Zuckerberg, anunciou na quinta-feira que o Facebook também daria uma resposta a Trump. Pela primeira vez, Zuckerberg disse que o republicano seria impedido de postar em suas contas do Facebook e Instagram "pelo menos nas próximas duas semanas, até que a transição pacífica de poder seja concluída."

A resposta de Zuckerberg também seguiu pressão interna, incluindo perguntas de funcionários postadas em um quadro de mensagens da empresa.

Alternativas

A mudança de curto prazo mais óbvia para Trump, após o banimento do Twitter e do Facebook, seria mudar para uma das "plataformas alternativas", como Parler e Gab, onde muitos de seus seguidores mais fervorosos se reuniram depois de terem sido expulsos dos aplicativos mais conhecidos. Na quarta à noite, o CEO do Gab, Andrew Torba, disse que estava "em contato com a equipe do presidente Trump" para falar sobre a criação da conta do presidente.

Prevendo o movimento, o Google decidiu suspender o Parler de sua loja de aplicativos. "Para proteger a segurança dos usuários no Google Play, nossas políticas de longa data exigem que os aplicativos que exibem conteúdos gerados pelos usuários tenham políticas de moderação e aplicação que removam conteúdo flagrante, como postagens que incitam a violência", disse um porta-voz do Google. "Todos os desenvolvedores concordam com estes termos e lembramos Parler desta política clara nos últimos meses. Estamos cientes de postagens no aplicativo que buscam incitar a violência nos EUA. À luz desta ameaça contínua e urgente à segurança pública, estamos suspendendo as listagens do aplicativo na Play Store até que ele resolva esses problemas". /REUTERS, AP, WP e NYT

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