Jim Watson/AFP
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Twitter volta a marcar e ocultar post de Trump

'Nunca haverá uma 'Zona Autônoma' em Washington DC enquanto eu for presidente. Se tentarem, enfrentarão uma grande força!', escreveu o presidente, em meio a protestos que há semanas dominam o país contra a violência policial e o racismo

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2020 | 19h52

WASHINGTON - O Twitter ocultou nesta terça-feira, 23, um novo tuíte do presidente americano, Donald Trump, porque considerou que ele "descumpriu" as regras relativas a "comportamento abusivo" de ameaçar com o uso da força manifestantes na capital americana.

A empresa sediada em São Francisco, que já tinha marcado comentários de Trump como enganosos e promotores de violência, determinou, no entanto, que o novo tuíte de Trump "pode ser de interesse público", e por isso permite aos seguidores do presidente lê-lo ao clicar no texto que o encobre.

"Nunca haverá uma 'Zona Autônoma' em Washington DC enquanto eu for presidente. Se tentarem, enfrentarão uma grande força!", escreveu o presidente, em meio a protestos que há semanas dominam o país contra a violência policial e o racismo.

Trump fez alusão em seu tuíte à zona livre de polícia criada recentemente por manifestantes em Seattle, o que provocou indignação entre os conservadores.

Antes desse tuíte, Trump tinha anunciado detenções e até dez anos de prisão a quem vandalizasse qualquer propriedade federal, depois de ativistas tentarem derrubar na noite de segunda-feira a estátua de um presidente escravocrata do século 19 perto da Casa Branca.

A decisão do Twitter de ocultar mais um tuíte de Trump intensifica uma batalha entre a Casa Branca e as empresas que oferecem serviços de redes sociais, às quais Trump acusa de parcialidade contra os políticos conservadores. 

O presidente americano, que tem 82,4 milhões de seguidores no Twitter e usa esta rede diariamente de forma intensiva, assinou no fim de maio um decreto para limitar a liberdade das redes sociais de decidir sobre seu conteúdo.

O governo Trump também destacou que quer reformar uma lei que dá imunidade aos provedores de serviços na internet sobre o conteúdo publicado por outros, uma medida que pode resultar em muitos litígios.

O Twitter informou nesta terça à France-Presse ter agido sobre o o tuíte de Trump porque ele violou a política da empresa com "uma ameaça de dano contra um grupo identificável". 

A política do Twitter com relação a líderes mundiais na maioria dos casos exige marcar as mensagens que afetam os padrões da rede sociais, o que limita seu alcance e evita que outros curtam ou o retuítem.

Mas deixa os tuítes disponíveis se forem relacionados com "assuntos atuais de importância pública".

Para Entender

O caso George Floyd

Homem negro de 46 anos foi morto por policial branco durante abordagem; desencadeados pelo assassinato, protestos contra o racismo e a violência policial eclodiram nos EUA e no mundo

No fim de maio, o Twitter ocultou um tuíte de Trump sobre os protestos após a morte do afro-americano George Floyd por um policial branco, por considerar que fazia "apologia da violência".

Dias antes, o Twitter tinha marcado dois tuítes do presidente sobre a votação por correio com a hashtag "Verifique os dados". Um porta-voz da plataforma disse então que continham "informação potencialmente enganosa sobre o processo de votação". /AFP 

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