Tzipi tenta reagir com ''fator Shalit''

Acordo para libertação do soldado de Israel sequestrado pelo Hamas há três anos favoreceria candidata governista

Gustavo Chacra, JERUSALEM, O Estadao de S.Paulo

09 de fevereiro de 2009 | 00h00

Em meio à possibilidade de um acordo nos próximos dias para a libertação do soldado Guilad Shalit, sequestrado pelo Hamas há quase três anos, em troca de centenas de prisioneiros palestinos, a acirrada disputa eleitoral israelense se intensificou ontem. Ataques envolveram os principais candidatos, especialmente o favorito Binyamin "Bibi" Netanyahu, do conservador Partido Likud, que viu sua vantagem nas pesquisas se reduzir para um empate técnico com a ministra das Relações Exteriores, Tzipi Livni.Caso uma solução seja encontrada para o caso de Shalit antes da eleição, a ministra seria a principal beneficiada, segundo analistas. Livni recebeu ontem oficialmente o apoio de premiê Ehud Olmert, que pertence ao seu partido, o Kadima, mas não simpatiza com ela. Apesar de impopular por causa das acusações de corrupção, as ações do primeiro-ministro no fim do mandato terão reflexo na candidatura da chanceler, que observa a queda de Netanyahu, enfraquecido ao ver parte de seus votos migrando para o ultradireitista Avigdor Lieberman, símbolo da atual eleição ao atrair um eleitorado jovem com lemas antiárabe.O ministro da Previdência, Rafi Eitan, afirmou ontem que um acordo para libertação de Shalit deve ocorrer antes do fim do mandato de Olmert, que deve durar ainda pelo menos um mês, tempo necessário para que seja negociada uma coalizão de governo. Em troca, Israel libertaria até mil prisioneiros palestinos. A discussão sobre Shalit vem sendo negociada simultaneamente com um cessar-fogo entre Israel e o Hamas. Líderes do grupo islâmico em Gaza estão dispostos a aceitar os termos propostos. Alguns estão em bunkers desde o início da ofensiva israelense em dezembro. Já Khaled Meshal, principal comandante da organização no exílio, é contra.Jogado para um quarto lugar nos levantamentos até agora, Ehud Barak e o seu Partido Trabalhista podem ter o pior resultado da história da agremiação considerada a principal responsável pela construção de Israel. Atual ministro da Defesa, Barak, mesmo sabendo que a sua chance de ser premiê é quase nula, busca garantir uma posição relevante na votação para, em uma futura coalizão, conseguir pelo menos manter o posto de ministro da Defesa.O problema é que ninguém em Israel consegue apostar na próxima formação do governo. Em primeiro lugar, o mais votado teoricamente teria a possibilidade de tentar formar um governo. Mas o presidente Shimon Peres, responsável pela indicação da pessoa incumbida de compor uma coalizão, inicialmente consultará todos os partidos que tiverem cadeiras no Parlamento para ver o bloco com mais chances de construir uma aliança para governar. Está claro que a direita vencerá. Isso não indica, porém, que Netanyahu levará vantagem por causa de Lieberman.O ultradireitista ainda não anunciou se apoiaria Netanyahu ou Livni. Deslumbrado com seu desempenho, o direitista pode negociar com a candidata do Kadima um posto melhor do que com o Likud, como o de chanceler ou ministro da Defesa. O imigrante da ex-União Soviética também não se dá com Bibi. Sabendo que perde votos para Liberman, do Partido Israel Beiteinu (Nossa Casa), Bibi lançou nos últimos dias uma campanha para convencer os eleitores que um voto no candidato direitista pode favorecer a Livni, e não ele.Em visita às Colinas do Golan, o candidato do Likud jogou um balde de água fria nos que defendem um acordo de paz com sírios e palestinos. "Jerusalém não será dividida. E o Golan continuará nas nossas mãos apenas se o Likud sair vencedor. Caso o Kadima vença, nós sairemos do Golan", afirmou Netanyahu, em claro ataque a Livni, ao plantar uma árvore na região ontem. As colinas foram ocupadas por Israel na Guerra dos Seis Dias em 1967 e anexadas em ação considerada ilegal pela ONU no início dos anos 1980.Nas ruas de Jerusalém, a campanha é principalmente dos partidos de direita. Na Ben Yehuda, uma das principais ruas comerciais da cidade, simpatizantes do radical Partido Nacional Religioso argumentavam que não há necessidade de se criar um Estado palestino."Eles podem viver em 22 países árabes", afirmou um deles ao Estado, dizendo que cidades como Nablus e Belém deveriam passar para as mãos dos israelenses e os moradores removidos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.