UA denuncia execução indiscriminada de negros na Líbia

Rebeldes líbios estariam executando indiscriminadamente pessoas negros por "confundirem" imigrantes inocentes com mercenários a serviço do coronel Muamar Kadafi, denunciou nesta segunda-feira o presidente da União Africana (UA), Jean Ping. Ele mencionou a suspeita como um dos motivos pelos quais a entidade continental não reconhece as forças de oposição a Kadafi como governo interino da Líbia.

Agência Estado

29 de agosto de 2011 | 16h33

"O Conselho Nacional de Transição (CNT) parece confundir pessoas negras com mercenários", declarou Ping. "Todos os negros são mercenários para o CNT. Isto significa que um terço da população da Líbia, que é negra, também é feito de mercenários", denunciou. "Eles estão matando pessoas, trabalhadores comuns, maltratando-os", prosseguiu.

Ping acrescentou: "Talvez haja negros entre grupos de saqueadores e forças fora de controle. Mas, em casos assim, o governo deveria fazer alguma coisa, denunciar a situação. Nós estamos à espera de algum sinal de que os trabalhadores africanos que lá estão devam ser retirados".

Os comentários de Ping vêm à tona depois de grupos internacionais de defesa dos direitos humanos terem denunciado espancamentos e detenções indiscriminadas de imigrantes procedentes de países da África subsaariana.

Repórteres da Associated Press já haviam testemunhado episódios de maus-tratos cometidos por rebeldes contra detentos e supostos mercenários a serviço de Kadafi, mas as denúncias atuais são as primeiras envolvendo atrocidades cometidas pelas forças insurgentes.

Abdel-Hafiz Ghoga, porta-voz do CNT, nega que rebeldes estejam matando negros indiscriminadamente. "Essas acusações foram feitas nos primeiros dias da revolução. Isso nunca aconteceu", disse ele. "Se aconteceu, foram as forças de Kadafi", acusou.

Ping, enquanto isso, pediu um cessar-fogo imediato e defendeu a formação de um governo de coalizão capaz de refletir a diversidade da Líbia. As informações são da Associated Press.

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