Ucrânia acentua ofensiva contra separatistas no leste

Após retomar controle de Slaviansk, governo de Poroshenko quer recuperar cidades de Donetsk e Luhansk

KIEV, O Estado de S.Paulo

07 de julho de 2014 | 02h01

O governo da Ucrânia disse ontem que as Forças Armadas continuarão a ofensiva para recuperar territórios ocupados por separatistas pró-Rússia. No sábado, Kiev retomou o controle de Slaviansk, no leste do país. Para o presidente Petro Poroshenko, foi um "momento decisivo" para a Ucrânia.

As tropas do governo expulsaram os rebeldes de Slaviansk, hastearam a bandeira azul e amarela no prédio da Prefeitura - ocupado durante quatro meses - e disseram que agora detêm o controle também da cidade vizinha, Kramatorsk.

O porta-voz do Conselho de Segurança da Ucrânia, Andrei Lysenko, disse a jornalistas que o governo começou a reconstruir a infraestrutura e garantir comida e água potável para os moradores.

A ofensiva em Slaviansk ocorreu depois que Poroshenko se recusou a renovar o cessar-fogo e ordenou a retomada de uma ofensiva do governo. A ação é a vitória mais significativa de Kiev em três meses de confrontos que deixaram mais de 200 soldados ucranianos e centenas de civis e rebeldes mortos, mas reduz as esperanças de uma nova trégua com os separatistas.

Analistas avaliam que Poroshenko, na presidência há um mês, precisava de um êxito militar para garantir a confiança dos ucranianos.

Ontem, tropas ucranianas bombardearam partes de Luhansk, cidade perto da fronteira com a Rússia, atualmente controlada pelos separatistas. Uma fábrica de baterias e outros edifícios foram atingidos, informou a agência de notícias russa Itar-Tass, citando rebeldes da cidade.

"As pessoas estão fugindo apressadamente para abrigos antibombas ou estão deixando a região", segundo a agência.

Com a ofensiva sobre Slaviansk, muitos rebeldes parecem ter recuado para Donetsk, primeiro lugar que os separatistas declararam uma "república popular". Por meio do Twitter, Poroshenko afirmou que a ordem é cercar os separatistas. "Minha ordem já está em vigor, apertem o cerco aos terroristas. Continuem a operação para libertar as regiões de Donetsk e Luhansk", disse, referindo-se às duas cidades no leste ucraniano mais afetadas pela rebelião separatista.

O líder rebelde Strelkov criticou também por meio do Twitter o presidente russo, Vladimir Putin, por não cumprir a promessa de proteger com todos os meios disponíveis seus compatriotas na Ucrânia e afirmou estar organizando uma contraofensiva. "Pretendo criar um conselho militar central que ajudará a coordenar a defesa da República Popular de Donetsk e de parte da de Luhansk."

Em nota, o ministro do Interior, Arsen Avakov, disse que a Ucrânia tem um "plano de ação": "Vamos seguir em frente todos os dias".

No sábado, Poroshenko convidou os separatistas, a Rússia e a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) a se reunir para discutir um novo cessar-fogo. Moscou e os rebeldes não responderam à proposta. / AFP e REUTERS

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