Ucrânia acusa forças russas de nova incursão militar

Porta-voz militar ucraniano afirma que grupo de soldados russos cruzou a fronteira em blindados de transporte de infantaria 

O Estado de S. Paulo

27 de agosto de 2014 | 13h51

KIEV - A Ucrânia acusou forças russas de lançarem uma nova incursão militar através de sua fronteira nesta quarta-feira, 27, um dia depois de os líderes dos dois países concordarem em trabalhar para encerrar o conflito separatista no leste ucraniano.

A acusação abalou o otimismo cauteloso das conversas de terça-feira entre Vladimir Putin e Petro Poroshenko para resolver a crise que dura cinco meses.

O porta-voz militar da Ucrânia, Andriy Lisenko, afirmou que um grupo de soldados russos cruzou a divisa em blindados de transporte de infantaria e em um caminhão, entrando na cidade de Amvrosiyivka, no leste, perto de onde a Ucrânia deteve dez soldados russos na segunda. O Ministério da Defesa russo não comentou sobre a suposta incursão.

Lisenko disse que os combates nas cidades de Horlivka e Ilovaysk, respectivamente no norte e no leste, mataram pelo menos 200 separatistas pró-Rússia e destruíram tanques e sistemas de mísseis. Segundo ele, 13 militares ucranianos foram mortos nas últimas 24 horas e 36 ficaram feridos.

A Rússia vem negando reiteradamente o envio de armas e soldados para ajudar os rebeldes do leste e afirma que os homens capturados na segunda atravessaram um trecho não identificado da fronteira por engano. "Quanto à mais recente onda de pânico na mídia ucraniana dando conta de que a Rússia está se juntando à guerra – se a Rússia o fizesse, a contra-ofensiva já estaria em Kiev", declarou Denis Pushilin, ex-líder separatista, a repórteres em Moscou.

A polêmica sobre o envolvimento direto da Rússia é o ponto central da crise. Estados Unidos e União Europeia impuseram sanções e Moscou respondeu na mesma moeda.

A Rússia reforçou suas forças na divisa ucraniana e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) reagiu intensificando exercícios militares no leste europeu.

Depois de se reunir com Putin, Poroshenko prometeu trabalhar em um plano de cessar-fogo urgente para deter o conflito, no qual os rebeldes declararam a independência de duas repúblicas no leste que juntas formam uma região à qual se referem como Novorossiya (Nova Rússia).

Putin classificou as conversas de terça em Belarus de positivas, mas disse que não cabe à Rússia resolver os detalhes da trégua entre Kiev e os rebeldes. "Só podemos contribuir para criar uma situação de confiança para um possível, e a meu ver extremamente necessário, processo de negociação."

Um líder rebelde, Oleg Tsaryov, escreveu no Facebook que acolhe o desfecho das conversas, mas os separatistas não aceitarão nada menos que a independência total. / REUTERS

Notícias relacionadas
    Tudo o que sabemos sobre:
    crise na UcrâniaRússia

    Encontrou algum erro? Entre em contato

    Tendências:

    O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.