Jim Lo Scalzo/EFE
Jim Lo Scalzo/EFE

Ucrânia acusa Rússia de invasão e EUA alertam para consequências

Milícias pró-Moscou tomaram dois aeroportos na região autônoma da Crimeia e reforços foram enviados pelo Kremlin para proteger bases militares que o país já mantém na área

Cláudia Trevisan, Correspondente / Washington - O Estado de S. Paulo,

28 de fevereiro de 2014 | 23h56

WASHINGTON - O presidente americano, Barack Obama, disse na sexta-feira, 28, estar "profundamente preocupado" com informações de que tropas russas estavam em operação na Crimeia, região autônoma localizada no sul da Ucrânia, e alertou que qualquer intervenção militar no país será "desestabilizadora" e terá "custos".

Em pronunciamento de três minutos na Casa Branca, Obama exigiu que a Rússia respeite a soberania e a integridade territorial da Ucrânia, país sacudido por uma revolta popular que levou à queda do governo na semana passada.

O presidente em exercício, Oleksander Turchynov, acusou Moscou de enviar tropas à Crimeia com o objetivo de provocar um "conflito armado". A maioria da população da região é de etnia russa e resiste às mudanças políticas que ocorrem em Kiev e no restante da Ucrânia. Turchynov pediu que o presidente russo, Vladimir Putin, "pare de provocar e comece a negociar" com o novo governo.

A embaixadora dos EUA na ONU, Samantha Power, exigiu a retirada das tropas russas da Crimeia e defendeu a criação de uma missão internacional para mediar o conflito.

Em Washington, Obama afirmou que a situação na Ucrânia é "fluida" e disse que autoridades de sua administração estão em permanente contato com o governo de Moscou. Segundo ele, uma intervenção militar representaria um desrespeito à legislação internacional e uma violação do compromisso russo de respeitar a soberania e as fronteiras da Ucrânia.

Uma fonte do governo disse que os EUA estudavam com aliados europeus quais seriam os "custos" para a Rússia em caso de uma intervenção militar. Segundo a CNN, o governo americano comunicou Moscou que não participará da reunião de cúpula do G8 marcada para junho em Sochi caso haja uma ocupação militar russa na Ucrânia.

A tensão política se elevou na sexta-feira na Ucrânia depois de a Rússia conduzir uma movimentação de suas tropas na Crimeia. Moscou reconheceu que soldados da base militar em Sebastopol saíram em veículos blindados e circularam pela cidade, sede da base russa do Mar Negro. Pelo acerto entre os dois países, qualquer movimentação fora da base precisa ser comunicada a Kiev.

O novo governo ucraniano afirmou que o país estava sofrendo uma "invasão armada", alegando que 2 mil soldados russos foram enviados em helicópteros para a região. Moscou alegou que "devido à instabilidade em torno dos quartéis e dos locais de residência dos militares da Frota do Mar Negro na Crimeia, destacamentos antiterroristas foram acionados para reforçar a segurança", segundo o porta-voz da frota, Vyacheslav Trukhachev.

Mais cedo, homens armados tomaram os dois principais aeroportos da região, uma ação que o novo governo ucraniano atribuiu a grupos privados a serviço das forças russas, o que foi negado por Moscou. Em resposta, Kiev determinou o fechamento do espaço aéreo na Crimeia.

Em sua declaração, Turchynov disse que a Rússia está seguindo as mesmas ações que tomou em 2008 antes de invadir a Georgia. Turchynov, empossado depois da deposição de Viktor Yanukovich pelo Parlamento no fim da semana passada, disse que as Forças Armadas ucranianas "cumprirão seus deveres", mas não serão influenciadas por provocações.

No mesmo dia, Yanukovich fez a primeira aparição pública desde que foi deposto. Na cidade russa de Rostov-on-Don, convocou uma entrevista coletiva e disse que a Rússia deveria usar todos os mecanismos para "encerrar o caos na Ucrânia". Yanukovich negou, porém, que suas palavras significassem um pedido de intervenção, dizendo que "qualquer ação militar nessa situação é inaceitável". Moscou garantiu proteção ao presidente deposto.

Sem se manifestar publicamente sobre a crise, Putin conversou por telefone com líderes europeus. Segundo o Kremlin, ele disse aos líderes da Grã-Bretanha, da Alemanha e do Conselho Europeu que não deveria haver mais escalada de violência na Ucrânia.

Berkut

Ainda na sexta-feira, o Consulado Geral da Rússia na Crimeia informou que concederá passaportes aos integrantes da desarticulada unidade de combate a distúrbios Berkut (Águia) da Polícia da Ucrânia. Composta por cerca de 4 mil soldados, a unidade protagonizou os mais violentos confrontos com os manifestantes opositores a Yanukovich e teve sua dissolução determinada na terça-feira. / AP, AFP, EFE e REUTERS

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