Ucrânia acusa Rússia de lançar nova incursão militar

Segundo o governoucraniano, um grupo desoldados russos cruzou a fronteira em blindados e entrou em Amvrosiyivka

KIEV , O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2014 | 02h00

A Ucrânia acusou forças russas de lançar uma nova incursão militar por sua fronteira ontem, um dia após os líderes dos dois países concordarem em trabalhar para encerrar o conflito separatista no leste ucraniano.

A acusação abalou o otimismo cauteloso das conversas entre os presidentes Vladimir Putin e Petro Poroshenko. Segundo o New York Times, tanques, artilharia e infantaria russos entraram em território ucraniano nos últimos dias na cidade de Novoazovsk e arredores.

O porta-voz militar da Ucrânia, Andri Lisenko, afirmou que um grupo de soldados russos cruzou a divisa em blindados, entrando na cidade de Amvrosiyivka, perto de onde a Ucrânia deteve dez soldados russos na segunda-feira. O Ministério da Defesa russo não comentou a acusação.

Lisenko disse que os combates nas cidades de Horlivka e Ilovaysk, respectivamente no norte e no leste, mataram pelo menos 200 separatistas pró-Rússia. Segundo o porta-voz, 13 militares ucranianos foram mortos nas últimas 24 horas e 36 ficaram feridos.

A Rússia nega reiteradamente que tenha enviado armas e soldados para ajudar os rebeldes do leste e afirma que os homens capturados atravessaram um trecho não identificado da fronteira por engano. "Quanto à mais recente onda de pânico na mídia ucraniana informando que a Rússia está se juntando à guerra - se a Rússia o fizesse, a contraofensiva já estaria em Kiev", declarou Denis Pushilin, ex-líder separatista.

A polêmica sobre o envolvimento direto da Rússia é o ponto central da crise. EUA e União Europeia impuseram sanções a Moscou, que respondeu na mesma moeda. A Rússia reforçou suas forças na fronteira ucraniana e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) reagiu intensificando exercícios militares no Leste Europeu.

Após se reunir com Putin, Poroshenko prometeu trabalhar em um plano de cessar-fogo urgente para deter o conflito, no qual os rebeldes declararam a independência de duas repúblicas no leste, que juntas formam uma região à qual se referem como Novorossiya (Nova Rússia).

Putin qualificou as conversas de terça-feira na Bielo-Rússia de positivas, mas disse que não cabe à Rússia resolver os detalhes da trégua entre Kiev e os rebeldes. "Só podemos contribuir para criar uma situação de confiança para um possível, e a meu ver extremamente necessário, processo de negociação."

Um líder rebelde, Oleg Tsaryov, escreveu no Facebook que acolhe o desfecho das conversas, mas destacou que os separatistas não aceitarão nada menos que a independência total. / REUTERS

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