Ucrânia acusa russos de tomar aeroportos na Crimeia

Tropas russas tomaram o controle dos dois principais aeroportos da península da Crimeia, afirmou o ministro interino do Interior ucraniano nesta sexta-feira, mas um porta-voz das frotas russas do Mar Negro negou que soldados de sua base estejam envolvidos no bloqueio dos aeroportos. O governo ucraniano pediu hoje que o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) intervenha no conflito.

Agência Estado

28 de fevereiro de 2014 | 09h45

Não há relatos de ações envolvendo violência no aeroporto civil da capital da Crimeia, Simferopol, ou no aeroporto militar localizado na cidade portuária de Sebastopol, que fica às margens do Mar Negro. No aeroporto da capital, um homem que diz falar em nome das forças que invadiram o local, descreveu o grupo como milicianos da Crimeia.

Uma incursão militar russa na Crimeia elevaria muito as tensões. Moscou prometeu proteger os ucranianos de fala russa na Crimeia, onde tem instalada uma importante base militar.

"Eu só posso descrever isso como uma invasão e ocupação militar", escreveu o novo ministro do Interior da Ucrânia, Arsen Avakov, em sua página no Facebook nesta sexta-feira.

Avakov disse que os aeroportos são controlados por tropas navais russas. Jornalistas da Associated Press que tentavam se aproximar do aeroporto de Sebastopol encontraram a via que leva ao local bloqueada por dois caminhões militares e viram uma série de homens armados usando uniformes camuflados que carregavam rifles de assalto

Um carro com placas russas foi parado no bloqueio. Um homem usando um uniforme militar com a bandeira russa na manga saiu do carro e recebeu permissão para seguir a pé, após uma breve discussão com os homens armados.

No aeroporto civil de Simferopol, voos comerciais estavam decolando e pousando normalmente apesar da presença dos homens armados.

Em Kiev, o Parlamento ucraniano adotou uma resolução exigindo que a Rússia interrompa ações que, afirmam, são contrárias a soberania e a integridade territorial do país. O Legislativo pediu a realização de uma reunião do Conselho de Segurança da ONU sobre a crise.

Em comunicado publicado na noite de quinta-feira, o presidente Vladimir Putin instruiu seu governo a "manter contatos com seus homólogos em Kiev no que diz respeito às relações comerciais e econômicas entre Rússia e Ucrânia".

Putin também pediu ao governo que "faça consultas com parceiros internacionais incluindo o Fundo Monetário Internacional (FMI) e países do G-8 para conceder ajuda financeira à Ucrânia". Fonte: Associated Press.

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