Ucrânia anuncia ofensiva antiterror no leste após morte de político anti-Rússia

Oleksander Turchinov, líder interino em Kiev, põe fim a acordo firmado em Genebra para acabar com a violência e aciona tropas para retomada de operações contra os separatistas; EUA enviarão 600 soldados para Polônia e Países Bálticos

Reuters e EFE, O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2014 | 02h06

KIEV - Depois de um político do partido do presidente interino da Ucrânia, Oleksander Turchinov, ter sido encontrado morto e com sinais de tortura, ontem, o chefe de Estado determinou que as operações antiterrorismo sejam retomadas. A ordem contraria o pacto que Kiev firmou na semana passada para evitar a violência na resolução da crise ucraniana.

Após o acordo, com a participação de representantes da Ucrânia, da Rússia, da União Europeia e dos EUA, Turchinov suspendeu as operações de suas forças no leste do país, onde separatistas tem se manifestado a favor da anexação da região ao território russo - a exemplo do que ocorreu na Península da Crimeia.

Os secessionistas ucranianos têm invadido prédios públicos e pedido um plebiscito que delibere sobre a autonomia. Em Donetsk, chegaram a declarar independência em relação a Kiev.

O pacto feito em Genebra afirmava que todos os envolvidos na crise ucraniana deveriam evitar o uso da violência. Além disso, os prédios ocupados por ativistas em território ucraniano deveriam ser esvaziados. No entanto, os manifestantes pró-Rússia não aceitaram o acordo e alegaram que não fazem parte do pacto.

Em comunicado, o presidente interino afirmou que dois corpos "brutalmente torturados" - entre eles o de Volodymyr Rybak, o político de seu partido, o Batkivshchyna - foram encontrados nas imediações da cidade de Slaviansk, que está sob poder dos separatistas e tem se tornado um dos principais focos de tensão entre forças oficiais e militantes pró-Rússia no leste do país. "Esses crimes estão sendo praticados com o total apoio e indulgência da Federação Russa. Convoco as agências de segurança para relançar e pôr em prática medidas antiterroristas efetivas, com o objetivo de proteger cidadãos ucranianos que vivem no leste da Ucrânia de terroristas", disse o presidente.

A polícia de Donetsk afirmou que o corpo de um homem que sofreu morte violenta - identificado preliminarmente como sendo de Rybak, vereador da cidade de Horlivka - foi encontrado no Rio Severski-Donets. A identificação formal não tinha sido feita. Segundo a imprensa local, o político foi sequestrado no dia 16.

O partido Batkivshchyna é liderado por Yulia Tymoshenko, ex-primeira-ministra que concorrerá nas eleições presidenciais de 25 de maio e ontem fazia campanha em Donetsk.

O Ministério de Defesa da Ucrânia afirmou que um avião militar foi atingido por tiros durante um voo sobre Slaviansk. O Antonov-30 recebeu vários disparos, mas aterrissou em segurança.

Americanos. Os EUA anunciaram ontem que vão enviar cerca de 600 soldados para a Polônia e os Países Bálticos para realização de exercícios militares. De acordo com Washington, um batalhão de 150 soldados do Exército americano com base na Itália chegará hoje ao território polonês e outros 450 homens serão enviados para Estônia, Lituânia e Letônia. Segundo o porta-voz do Pentágono, John Kirby, as manobras militares "ocorrerão nos próximos meses". "É uma mostra do nosso compromisso com nossas obrigações em questão de segurança na Europa e uma mensagem a Moscou de que levamos muito a sério nossas obrigações", disse Kirby. Desde o início da crise ucraniana, o Pentágono enviou 12 caças F-16 e equipes de apoio à Polônia. Kirby disse que não descarta a possibilidade de os exercícios militares se estenderem a outros países da Otan na região.

O presidente bielo-russo, Alexander Lukashenko, afirmou ontem que a crise ucraniana põe em risco a segurança em seu país.

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