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Ucrânia aponta risco de invasão russa

Tropas ucranianas estão posicionadas na fronteira leste, onde haveria contingentes russos estacionados

Andrei Netto, Enviado Especial / Simferopol, Ucrânia, O Estado de S. Paulo

14 de março de 2014 | 00h58

SIMFEROPOL, UCRÂNIA - A fronteira leste da Ucrânia, junto à Rússia, estaria ameaçada de invasão por tropas do país vizinho. A advertência foi feita na quinta-feira, 13, pelo presidente interino, Oleksander Turchinov, para quem soldados de Moscou estavam "prontos para invadir" outras regiões cuja população é de maioria russa, como aconteceu na República Autônoma da Crimeia.

O alerta reforçou a tensão política e militar na península, onde forças russas teriam atirado contra um avião de reconhecimento ucraniano que sobrevoava o próprio território. O incidente, o segundo em cinco dias, teria acontecido no início da tarde, nas imediações da cidade de Armiansk, a 133 quilômetros ao norte de Simferopol, a capital da Crimeia.

De acordo com o Ministério da Defesa da Ucrânia, a aeronave não foi atingida. "Estamos fazendo tudo o que podemos para evitar uma guerra, que seja na Crimeia ou em outras regiões da Ucrânia", afirmou Tourtchinov, sucessor do presidente deposto Viktor Yanukovich.

O alerta do presidente veio depois que o ministro da Defesa russo, Serguei Shoigu, confirmou que tropas de seu país iniciaram exercícios de guerra nas regiões de Rostov, Bolgorod, Kursk e Tamboy, na fronteira com a Ucrânia. O treinamento continuará até o fim do mês.

Violência

A tensão também tem reflexo no cotidiano da Crimeia. Se durante o dia em Simferopol a vida segue seu curso, com lojas abertas, trânsito nas ruas e aulas em escolas e universidades, falta dinheiro nos caixas automáticos porque a população vem promovendo saques, com medo de perder seus depósitos em bancos ucranianos.

Além disso, o risco de violência é palpável. Não bastasse a vigilância permanente de milícias paramilitares russas e cossacas, na noite de quarta-feira para hoje, um grupo de hooligans depredou vitrine no centro, conforme o Estado presenciou.

A insegurança também se reflete para jornalistas. Além dos dois repórteres ucranianos, Olena Maksymenko e Oleksiy Byk, desaparecidos há três dias em companhia dos militantes pró-Europa Kateryna Butko e Aleksandra Ryazantseva, na quinta o jornalista francês David Geoffrion, do grupo Canal+, passou o dia preso por milícias, até ser libertado à noite.

Diplomacia

A tensão segue elevada também no campo diplomático. Hoje, o secretário de Estado americano, John Kerry, e o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, voltam a se encontrar, desta vez em Londres.

Nesta quinta, porém, Kerry antecipou que Washington, em coordenação com a União Europeia, retaliará a partir de segunda-feira caso o referendo que deve confirmar a secessão da Crimeia da Ucrânia e a anexação à Rússia seja realizado no domingo.

Na Alemanha, a chanceler, Angela Merkel, disse que o presidente russo, Vladimir Putin, tem muito a perder se o Ocidente aprovar sanções contra Moscou. "Elas prejudicarão gravemente a Rússia, tanto do ponto de vista político, quanto do econômico."

Putin, por sua vez, convocou o Conselho de Segurança do Kremlin para reexaminar as relações diplomáticas do país com "os parceiros e amigos da Ucrânia, da Europa e dos EUA", segundo a agência Interfax.

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