Sergei SUPINSKY / AFP
Sergei SUPINSKY / AFP

Ucrânia aprova lei para reforçar uso de seu idioma na administração pública

Medida, considerada um 'acontecimento histórico' pelo presidente Petro Poroshenko, entrará em vigor em três anos e exigirá que funcionários públicos de todos os níveis, como médicos, professores e advogados falem em ucraniano para não ser multados

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2019 | 12h39

KIEV - O Parlamento da Ucrânia aprovou nesta quinta-feira, 25, uma lei para reforçar o uso do idioma ucraniano na administração pública, uma medida que irritou Moscou e deve sem mal recebida também nas regiões do país em que se fala russo.

A medida também aumenta a porcentagem de programas de rádio e televisão em ucranianano, poucos dias após a eleição à presidência de Volodmir Zelenski, que fala russo.

Funcionários públicos de todos os níveis, bem como médicos, professores, advogados e outros profissionais terão que falar em ucraniano ou serão multados. A lei não se aplica a comunicações privadas ou ritos religiosos, segundo a imprensa.

A lei entrará em vigor em três anos, o tempo para a instalação de centros em todo o país para apoiar a aprendizagem da língua e da cultura ucranianas, indicou o legislador Nikolai Knyazhitski à agência de notícias Interfax-Ucrânia.

O presidente Petro Poroshenko chamou a votação de "acontecimento histórico", comparando-a com a recuperação do Exército e a criação de uma igreja ucraniana unificada durante o seu mandato.

O presidente eleito Zelenski, ator e humorista que interpretou o papel de presidente em uma série em língua russa, mas que não tem experiência política, costuma falar em russo.

A porta-voz da diplomacia russa, Maria Zakharova, disse que a lei aprovada pelo Parlamento ucraniano "só pode ser qualificada de escandalosa". "Estamos diante de uma decisão que só agrava a divisão da sociedade ucraniana e torna distante a perspectiva de uma solução da crise", disse.

Troca de Farpas

A lei sobre a língua foi aprovada um dia depois de a Rússia facilitar a obtenção do passaporte russo para os habitantes das regiões separatistas ucranianos de Donetsk e Lugansk, no leste, provocando a condenação de Kiev.

Nesta quinta-feira foi a vez da União Europeia acusar a Rússia de "exacerbar" as tensões com Kiev. "Esperamos da Rússia que ela não conduza ações contrárias aos acordos de Minsk e que ela não impeça a reintegração total" das zonas controladas pelos separatistas, advertiu a UE em comunicado.

O anúncio de Moscou "imediatamente após as eleições presidenciais, que mostraram o forte apreço da Ucrânia pela democracia e pelo Estado de direito, evidencia a intenção da Rússia de desestabilizar ainda mais o país", afirmou, por sua vez, a porta-voz da chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini.

Já o presidente russo Vladimir Putin assegurou nesta quinta que está disposto a "restabelecer totalmente" as relações com a Ucrânia, desde que não aconteça de forma "unilateral", após a vitória de Zelenski.

"Queremos e estamos dispostos a restabelecer totalmente nossas relações com a Ucrânia, mas não podemos fazê-lo unilateralmente", afirmou a jornalistas em Vladivostok, onde participou de uma cúpula com o líder norte-coreano Kim Jong-un. O presidente russo acrescentou que a vitória de Zelesnki, com mais de 73% dos votos, simboliza "o fracasso total da política de Poroshenko".

Poroshenko adotou, de fato, uma linha dura em relação à Rússia, com quem rompeu relações assim que chegou ao poder em 2014. Moscou e Kiev estão em confronto desde a revolta popular de 2014 que causou a queda do governo ucraniano apoiado pelo Kremlin. Pouco depois, a Rússia anexou a península da Crimeia e apoiou os rebeldes em um conflito separatista no leste da Ucrânia, que já  custou a vida de 13 mil pessoas. / AFP

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