MYKOLA LAZARENKO/AFP
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Ucrânia convoca reservistas em meio à crise com a Rússia

O presidente Petro Poroshenko anunciou que Kiev está respondendo a uma ameaça de invasão russa após a captura de três navios ucranianos na semana passada

O Estado de S.Paulo

03 Dezembro 2018 | 10h37

KIEV - O presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, anunciou nesta segunda-feira, 3, a convocação de alguns reservistas ucranianos para serem treinados. Ele também declarou que algumas unidades militares serão reestruturadas para fortalecer as defesas do país. As medidas anunciadas eram previstas na lei marcial promulgada pelo Parlamento ucraniano na semana passada. O plano terá duração de 30 dias.

“A Ucrânia está tomando os seus próprios passos em resposta à ameaça de uma invasão russa”, disse Poroshenko. Durante o final de semana, o presidente afirmou que os russos movimentaram tropas ao longo da fronteira com a Ucrânia, que também acusou Moscou de bloquear os portos do país no Mar de Azov.

Um porta-voz do governo da Rússia, Dmitry Peskov, negou as acusações e classificou-as como “uma tentativa absurda de fomentar as tensões”. “As acusações contra a Rússia não têm base nenhuma”, disse. Sobre os portos em Azov, disse que a navegação continua normal, exceto por ocasionais pausas por causa do mau tempo. O movimento das tropas russas fizeram parte de um treinamento envolvendo um sistema de mísseis anti-navios de longo alcance, disse Peskov.

A convocação vem após a escalada da tensão entre a Ucrânia e a Rússia, que em 25 de novembro capturou três navios ucranianos em águas russas no Mar Negro e mantém presos os 23 membros da tripulação em prisões em Moscou. Eles foram interrogados por agentes de inteligência russos.

Na sexta-feira passada, Kiev proibiu a entrada de homens russos em idade militar (de 16 a 60 anos de idade) no país sob o pretexto de prevenir que “Exércitos privados” lutem em solo ucraniano.  A lei marcial da Ucrânia ainda prevê poderes especiais ao presidente, imposição do toque de recolher e limitação à imprensa.

Poreshenko afirmou que Kiev tentou marcar uma conferência por telefone com Putin para discutir o embate, mas teve uma recusa de Kremlin. Peskov disse nesta segunda que “nenhuma conversa foi marcada”. / AP

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