Ucrânia diz estar perto de retomar o controle de Donetsk

Governo pede que população deixe a cidade ao leste do país e Luhansk antes da ofensiva contra os separatistas pró-Rússia

O Estado de S. Paulo

11 de agosto de 2014 | 11h38

KIEV - As Forças Aramadas ucranianas disseram nesta segunda-feira, 11, que estão se preparando para a "fase final" da retomada da cidade de Donetsk das mãos de separatistas pró-russos, depois de terem ganhos significativos que dividiram as forças rebeldes no terreno.

O porta-voz Andriy Lisenko disse que as tropas de Kiev já tinha separado Donetsk da outra principal cidade controlada pelos rebeldes, Luhansk, a 150 quilômetros, na fronteira com a Rússia. "As forças da operação antiterrorista estão se preparando para a fase final da libertação de Donetsk. Nossas forças cortaram completamente Donetsk de Luhansk. Estamos trabalhando para libertar as duas cidades, mas é melhor libertar Donetsk primeiro. É mais importante."

Autoridades ucranianas pediram nesta segunda que a população de Donetsk e Luhansk deixem as cidades antes da ofensiva. "Nos dirigimos à população civil para que abandone provisoriamente estas cidades, pois ali vai acontecer uma operação para sua libertação e para a eliminação dos terroristas", declarou Lisenko.

O porta-voz disse que o governo está disposto a oferecer qualquer meio de transporte necessário para que os civis saiam das cidades por meio de corredores seguros e negou que o Executivo de Kiev recorrerá à artilharia pesada para atacar os principais redutos dos rebeldes. "Nós não fazemos como os militares russos no Cáucaso. Não bombardeamos as cidades até seus alicerces para poder entrar e pôr nossa bandeira."

Segundo Kiev, a conquista de Krasni Luch (Luhansk) representaria o bloqueio do abastecimento aos separatistas por parte da Rússia. Outros alvos da ofensiva em Donetsk são regiões perto do local onde em caiu o voo MH17 da Malaysia Airlines, as últimas vias de comunicação entre as duas regiões pró-russas.

Embora o governo diga que está apertando um cordão de isolamento em torno dos separatistas em Donetsk, em meio a mudanças na liderança rebelde e deserções em suas fileiras, regiões do leste ainda estão sob controle dos separatistas pró-Rússia, incluindo Luhansk, Horlivka, ao norte de Donetsk, e Makiyivka, a leste.

Intervenção. O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, disse nesta segunda que vê a probabilidade de uma intervenção militar russa no leste da Ucrânia "alta" e acrescentou que a Otan não percebeu qualquer sinal de retirada das tropas de Moscou de perto da fronteira ucraniana.

"Nós vemos os russos desenvolvendo a narrativa e o pretexto para tal operação (intervenção), sob o pretexto de uma operação humanitária, e vemos uma escalada militar que poderia ser usada para realizar tais operações militares ilegais na Ucrânia", disse Rasmussen. /EFE e REUTERS

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