Ucrânia e rebeldes se acusam de atacar ônibus de refugiados

Comboio estava perto da cidade de Luhansk e foi atacado por um míssil; ainda não foi determinado o número de mortos na ação

O Estado de S. Paulo

18 de agosto de 2014 | 14h39

KIEV/BERLIM - A Ucrânia acusou rebeldes pró-Rússia nesta segunda-feira, 18, de disparar um foguete contra um comboio de ônibus com refugiados perto da cidade de Luhansk, matando pessoas dentro dos veículos. Os separatistas negaram responsabilidade pelo ataque.

Forças do governo ucraniano mantiveram a pressão sobre os separatistas em combates durante a madrugada desta segunda, isolando ou reconquistando posições tomadas pelos rebeldes, após o fracasso das negociações internacionais em busca de um cessar-fogo. Nove soldados ucranianos morreram nos combates durante a noite.

O porta-voz militar ucraniano Anatoly Proshin disse ao canal de TV 112.ua que o disparo de míssil dos rebeldes sobre os ônibus causou diversas mortes. "Um poderoso ataque de artilharia atingiu um comboio de refugiados perto da área de Khryashchuvatye e Novosvitlivka. A força do impacto no comboio foi tão forte que as pessoas queimaram vivas nos veículos - elas não foram capazes de sair."

Um líder rebelde negou que suas forças tenham a capacidade militar de realizar tal ataque e acusou o governo de regularmente atacar a área. "Os próprios ucranianos bombardeiam a rodovia constantemente com aviões e Grads. Parece que agora eles mataram mais civis, como têm feito nos últimos meses. Nós não temos a capacidade de enviar Grads para aquele território", disse Andrei Purgin, vice-primeiro-ministro da autodeclarada República Popular de Donetsk.

Relatos sobre novos avanços da companha militar de Kiev surgem após o sucesso de forças do governo no fim de semana, quando tropas levantaram a bandeira nacional em Luhansk, cidade mantida por separatistas desde o início do conflito, em abril.

Mesmo com a aplicação de sanções contra Moscou, a crise tem desafiado as tentativas de um acordo internacional e causado o pior momento entre Rússia e o Ocidente desde o fim da Guerra Fria.

O ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, disse que todas as questões sobre um comboio humanitário enviado por Moscou para o leste da Ucrânia haviam sido resolvidas durante conversas internacionais realizadas em Berlim.

Mas, segundo ele, nenhum progresso foi alcançado com os ministros equivalentes da Ucrânia, Alemanha e França sobre um cessar-fogo ou solução política. "Não somos capazes de relatar resultados positivos sobre alcançar um cessar-fogo e sobre o processo político", disse Lavrov.

Com os rebeldes aparentemente perdendo terreno dia a dia para forças do governo e com a liderança do presidente ucraniano, Petro Poroshenko, vendo uma vitória até o Dia da Independência do país, no próximo sábado, é improvável que Kiev veja qualquer vantagem em concordar com um cessar-fogo agora.

A ONU disse neste mês estimar que 2.086 pessoas, sendo civis e combatentes, tenham morrido no conflito. / REUTERS

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