Ucrânia e rebeldes travam pior confronto desde assinatura de cessar-fogo

Os dois lados se acusam de ter iniciado combates, que mataram soldados ucranianos e separatistas

O Estado de S. Paulo

03 de junho de 2015 | 16h57

KIEV - Tropas ucranianas e separatistas pró-Russia tiveram seu primeiro confronto sério em meses nesta quarta-feira e o ministro da Defesa da Ucrânia disse que uma tentativa dos rebeldes de tomar a cidade de Maryinka, no leste, foi frustrada.

O Exército ucraniano disse que rebeldes apoiados pela Rússia tentaram avançar usando tanques e até mil combatentes a oeste da principal fortaleza rebelde em Donetsk, no avanço mais significativo do conflito em cerca de três meses, que representa um desafio ao acordo de cessar-fogo.

Os separatistas negaram que suas forças iniciaram um ataque a Maryinka, cidade que tinha 9.900 habitantes antes do conflito e fica a 15 quilômetros de Donetsk.

Eles acusaram tropas do governo de atirar em território rebelde próximo a Donetsk, matando 15 pessoas. Os rebeldes disseram que o fornecimento de eletricidade foi cortado, prendendo centenas de mineiros em duas minas.

O confronto, no qual ambos lados usaram artilharia pesada, seguiu um rumo além dos combates regulares de baixo nível em meio ao cessar-fogo assinado em fevereiro. O acordo foi intermediado pelos líderes da Ucrânia, Rússia, Alemanha e França, mas, apesar da assinatura de cessar-fogo, várias pessoas foram mortas quase que diariamente.

A ofensiva começou às 3 horas (horário local) e terminou quase 12 horas depois. "Por enquanto, operações de ataque foram pausadas", disse o ministro da Defesa ucraniano, Stepan Poltorak, a jornalistas.

O Ministério da Defesa da Ucrânia afirmou que 7 soldados foram feridos  no confronto perto de Maryinka, cidade a 25 quilômetros do bastião rebelde de Donetsk. Uma mensagem na página do Facebook de Yuriy Biryukov, um conselheiro do presidente ucraniano, dizia que o número pode ser maior, com 2 mortos e 30 feridos

Os líderes rebeldes acusaram as forças de Kiev de iniciar o confronto. Um comandante das forças rebeldes, Vladimir Kononov, afirmou que o episódio começou com disparos contra as posições rebeldes ao longo da linha de frente. Segundo ele, 15 pessoas haviam sido mortas do lado rebelde nesta quarta-feira.

O governo russo ecoou as acusações. Um porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse à agência Interfax que o governo de Moscou está "extremamente preocupado com as ações provocativas das Forças Armadas ucranianas, que até onde podemos julgar provocaram em grande medida essa situação".

O acordo de paz previa o imediato cessar-fogo e a retirada de armas pesadas da linha de frente. Isso ajudou a reduzir significativamente as mortes entre civis e militares nos últimos meses. Ainda assim, há confrontos esporádicos em várias áreas. / Dow Jones Newswires

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