Ucrânia e UE selarão pacto, dizem governo de Kiev e europeus

Autoridades ucranianas e de Bruxelas afirmam que acordo virá ‘em breve’, mas manifestantes permanecem nas ruas

O Estado de S. Paulo,

12 de dezembro de 2013 | 09h11

(ATUALIZADA ÀS 23h40) KIEV - Negociadores ucranianos desembarcaram ontem em Bruxelas, enquanto a chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, e autoridades do governo de Victor Yanukovich afirmaram que Kiev pretende assinar em breve um acordo de cooperação com o bloco. A onda de protestos na Ucrânia teve início depois de Yanukovich abandonar as negociações com a UE, no fim do mês passado, para discutir uma aliança com Moscou.

No entanto, milhares de ucranianos continuam a ocupar a Praça da Independência, no centro de Kiev, sob neve e a -11°C, exigindo a renúncia incondicional do governo, a libertação de ativistas presos e a punição de autoridades por abusos policiais. Yanukovich vem emitindo sinais contraditórios: ele promete aos opositores uma "mesa de diálogo" sobre o futuro do país, mas, na quarta-feira, usou rapidamente as forças policiais para tentar - sem sucesso - dispersar os manifestantes.

A oposição ucraniana teme que Yanukovich faça o país aderir a uma zona comercial sob hegemonia russa, juntamente com a Bielo-Rússia e o Cazaquistão - o líder ucraniano e o presidente Vladimir Putin têm um encontro marcado para a semana que vem. Ontem, em seu discurso anual sobre o estado do governo russo, Putin negou que esteja coagindo a Ucrânia a abandonar a União Europeia e entrar na zona de comércio patrocinada por Moscou. "Não estamos buscando status de superpotência", garantiu o presidente russo.

Yanukovich afirma que está aberto a um acordo com Bruxelas, desde que o bloco europeu aceite ampliar a ajuda à Ucrânia. O país sofre com um profundo endividamento e está em negociações com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para conseguir um empréstimo. Kiev também teme que um avanço na direção da União Europeia, com a eventual adesão ao bloco, seja "punida" pelo governo de Putin, sobretudo com o corte de suprimento de gás e barreiras comerciais.

Ashton, que esteve esta semana na Ucrânia reunida com Yanukovich e com grupos de oposição, afirmou que o acordo com Bruxelas incluirá um auxílio financeiro a Kiev "e o investimento que o país precisa". Em entrevista, a representante da diplomacia europeia foi enfática: "Yanukovich deixou claro para mim que pretende assinar o acordo de associação (com a UE)".

O chefe da delegação ucraniana enviada a Bruxelas, o vice-premiê Serhiy Arbuzov, afirmou ontem que seu país firmará "em breve" o acordo com a União Europeia. O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Leonid Kozhara, disse a uma agência de notícias russa que "há muitas chances" de assinar o documento com os europeus.

O aval à parceria significaria uma mudança total da posição adotada pelo governo ucraniano no último encontro com negociadores europeus, na Lituânia. O documento inclui cláusulas democráticas e prevê uma forte aproximação com a UE, mas não a imediata adesão ao bloco (mais informações nesta página).

SEM LENIN

Stefan Fuele, comissário europeu que cuida da inclusão de países no bloco, afirmou que o pacto levará a uma assistência financeira "cada vez maior" à Ucrânia. "Temos o compromisso de fazer equivaler nosso apoio financeiro às ambições de nossos parceiros de Kiev", afirmou Fuele.

Ucranianos do leste do país - incluindo o próprio Yanukovich - falam russo e são historicamente próximos de Moscou. A maioria do país, concentrada no oeste, fala ucraniano e aparentemente resiste a uma firme aproximação com a Rússia. Um dos motivos do ressentimento ucraniano é a opressão que a URSS exerceu sobre o país durante décadas, esmagando praticamente todos os símbolos nacionais de Kiev.

Um dos momentos mais emblemáticos das três semanas de protestos foi a derrubada de uma estátua de Lenin, no centro da capital, ao som do hino ucraniano e de gritos de "Viva a Ucrânia!". / NYT e REUTERS

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