Sergey Dolzhenko/EFE
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Ucrânia está pronta para falar com Rússia, mas Europa é prioridade, diz presidente

Em discurso, Oleksander Turchinov também afirmou que estabilidade econômica está na agenda do novo governo

Agências internacionais, O Estado de S. Paulo

23 de fevereiro de 2014 | 18h50

KIEV - O presidente em exercício da Ucrânia, Oleksander Turchinov, disse neste domingo que o país está pronto para conversar com a liderança da Rússia para tentar melhorar as relações, mas deixou claro que a volta de Kiev à integração europeia é a prioridade.

Em discurso à nação, Turchinov disse que a nova liderança ucraniana, após a deposição de Viktor Yanukovich, está pronta para um diálogo com a Rússia para colocar as relações em "um patamar novo, igual e de boa vizinhança, que reconheça e leve em consideração a escolha europeia da Ucrânia".

"Outra prioridade", disse ele, "é retornar ao caminho da integração europeia". Ele também afirmou que um dos desafios do próximo governo é estabilizar a economia, que ele disse correr risco de descumprir suas obrigações.

A opinião da Rússia será importante no futuro do país, já que Moscou tem fornecido recursos financeiros para manter a economia ucraniana em funcionamento.

O ministro de Finanças russo disse neste domingo que a Ucrânia deve pedir um empréstimo ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para evitar um iminente default. Em dezembro, a Rússia ofereceu à Ucrânia uma resgate de US$ 15 bilhões, mas até agora só forneceu US$ 3 bilhões, congelando o restante do empréstimo à espera do resultado da crise política.

Surgiram sinais neste domingo de que a Rússia pode agora apoiar Tymoshenko. Um importante membro do Legislativo russo, Leonid Slutsky, declarou nesta manhã que escolher Tymoshenko para o cargo de primeiro-ministro "seria útil para estabilizar" as tensões na Ucrânia, segundo relatos de agências russas de notícias.

Com o novo presidente em exercício, o Parlamento, agora, deverá votar para escolher um novo primeiro-ministro, o que deve acontecer ainda hoje. Três candidatos estão dentre as opções dos deputados: Tymoshenko, Arseniy Yatsenyuk, líder do Batkivschyna, e o empresário e deputado Petro Poroshenko.

Yanukovych. O paradeiro de Viktor Yanukovich continuava desconhecido. Um avião no qual ele estava a bordo não pôde decolar na noite de sábado da cidade de Donetsk porque não estava com a documentação em dia, informou neste domingo Oleh Slobodyan, do serviço de guardas de fronteira. Segundo ele, o presidente saiu do aeroporto de carro, mas não havia registros de que ele tenha deixado o país por terra.

Autoridades europeias pediram calma. Autoridades das Forças Armadas e da Defesa também pediram que os ucranianos mantenham a calma, mas não apoiaram claramente nenhum dos lados da disputa política.

Há temores de que algumas regiões do país tentem se separar da Ucrânia após meses de impasse político que deixou vários mortos num país de importância estratégica para Estados Unidos, UE e Rússia.

Yanukovich afirmou no sábado que as decisões tomadas pelo Parlamento nos últimos dias são ilegais, já que ele não assinou a lei que faz valer no país a Constituição de 2004, que prevê a redução dos poderes presidenciais e o aumento do papel do Parlamento na condução do país. Porém, neste domingo, ele não pronunciou nem fez qualquer tentativa de interromper as atividades parlamentares. Fonte: Reuters, Dow Jones Newswires e Associated Press.

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