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Ucrânia lança operação para recuperar cidade de milícias pró-Rússia

Em resposta, milícias pró-Rússia derrubaram dois helicópteros do governo central de Kiev

O Estado de S. Paulo,

02 Maio 2014 | 11h35

KIEV - As Forças Armadas da Ucrânia começaram na madrugada desta sexta-feira, 2, uma operação militar em Slaviansk, no sudeste do país, para retomar o controle da cidade, que está nas mãos dos separatistas, segundo meios russos e ucranianos. Em resposta, milícias pró-Rússia derrubaram dois helicópteros do governo central. 

Segundo o autoproclamado prefeito de Slaviansk,Viacheslav Ponomariov, e um piloto morreu e o outro foi capturado. O líder das chamadas "forças de autodefesa", Igor Strelkov, afirmou que a cidade está agora bloqueada pelas tropas ucranianas, que utilizaram 20 helicópteros na ofensiva.

"Todas as estradas estão interrompidas e de todas as direções chegam blindados e soldados. Eles estão utilizando contra nós até 20 helicópteros, de combate e de transporte de tropas. O inimigo bloqueou a cidade totalmente, as entradas e as saídas", disse Strelkov ao canal russo de televisão Rússia 24".

Outros meios informam que uma sirene soou na cidade e que era possível ouvir tiros e explosões. Um porta-voz das milícias pró-Moscou disse à agência RIA Novosti que o ataque tem como alvos vários postos de controle ao mesmo tempo." Chegaram alguns blindados e veículos militares, e soldados desembarcaram de helicópteros e atacaram os postos de controle", disse. Segundo a agência Interfax, há vários feridos entre os milicianos pró-Rússia.

Slaviansk se transformou no bastião do levante pró-russo no sudeste da Ucrânia contra o governo de Kiev. Seis inspetores militares europeus e um intérprete continuam retidos nessa cidade, acusados pelos separatistas de serem espiões da Otan.

O governo de Kiev não confirmou a operação e os meios ucranianos fazem seus relatos com base nas informações da imprensa russa.

Reação. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia advertiu que se autoridades de Kiev fizessem uma ofensiva no sudeste da Ucrânia poderia trazer "consequências catastróficas".

O porta-voz do presidente russo, Vladimir Putin, disse que o Kremlin estava extremamente preocupado porque não tinha notícias de um representante que Putin enviara à cidade para ajudar a libertar reféns estrangeiros.

Ele disse que uma operação punitiva organizada por forças ucranianas acabou com um plano de paz acertado com potências ocidentais duas semanas atrás. 

O Ministério das Relações Exteriores russo exigiu nesta quinta-feira ao governo de Kiev que cesse "imediatamente a operação de castigo" que realiza no sudeste do país contra as milícias pró-russas, e pediu além disso ao Ocidente o fim de sua "política destrutiva em relação à Ucrânia".

Em comunicado, a Chancelaria acusa a Kiev de usar na operação das forças armadas terroristas de extrema direita. "Lembramos a este respeito que Washington nunca desmentiu com clareza anteriores evidências sobre a presença na Ucrânia de membros de uma organização militar privada. Como se sabe, estas organizações militares privadas não trabalham no exterior sem o consentimento do Departamento de Estado americano", assinala o texto./ REUTERS e EFE

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