Evgeniy Maloletka/AP
Evgeniy Maloletka/AP

Ucrânia pede à ONU que envie tropas das forças de paz para o leste do país

Presidente interino, Oleksander Turchinov, fez a solicitação à ONU após ativistas pró-Rússia ignorarem ultimato de Kiev para baixar armas e desocupar prédios públicos

O Estado de S. Paulo,

14 de abril de 2014 | 08h24

(Atualizada às 21h45) KIEV - O presidente interino da Ucrânia, Oleksander Turchinov, pediu na segunda-feira, 14, às Nações Unidas que enviem tropas de paz para o leste do país, onde milícias pró-Rússia ocupam instalações do governo. Nesta segunda, os rebeldes ignoraram um ultimato de Kiev para baixar as armas e desocupar os prédios e pediram a ajuda da Rússia.

A crise na Ucrânia agravou-se no fim de semana depois que ativistas pró-Moscou ampliaram as ocupações no coração industrial do país. Na semana passada, rebeldes da região de Donetsk proclamaram uma "república popular" e pediram um referendo sobre seu status.

O prazo dado aos rebeldes expirou nesta manhã, mas não havia indícios de que as Forças Armadas cumpririam as ordens de desocupação dos prédios à força, como prometera Turchinov, no domingo.

O ultimato foi anunciado após a morte de um oficial de segurança durante confronto com os rebeldes. A operação deveria se concentrar em Slaviansk, onde delegacias de polícia, prédios públicos e estradas foram dominados.

Em vez de reforçar o ultimato, o presidente ofereceu concessões para garantir mais autonomia à região, repetindo o gesto da semana passada do primeiro-ministro Arseni Yatsenyuk. O telefonema de Turchinov para pedir ajuda ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, demonstrou o quanto são limitadas as opções de Kiev.

Os presidentes dos EUA, Barack Obama, e da Rússia, Vladimir Putin, voltaram a conversar por telefone sobre a crise. Segundo a Casa Branca, Obama alertou que a interferência de Moscou na crise ucraniana teria "custos". O Kremlin disse que Putin afirmou ao americano que as alegações de interferência russa no leste e sul da Ucrânia têm como base "informações imprecisas".

Mais cedo, os dois países haviam trocado acusações. O Pentágono acusou a Rússia de fazer provocações ao autorizar o voo de aviões de combate sobre um navio de guerra americano no Mar Negro.

Em um comunicado, o Pentágono afirmou que o destróier de míssil teleguiado USS Donald Cook conduzia "operações de rotina" quando aeronaves SU-24 russas voaram próximo do navio, sem responder aos "múltiplos avisos" dados pela embarcação.

Os russos asseguraram que as aeronaves estavam "desarmadas" e nunca representaram uma ameaça ao destróier. No entanto, segundo os americanos, as ações foram "provocativas" e "não profissionais".

Moscou cobrou explicações de Washington sobre a visita que o diretor da CIA, John Brennan, fez a Kiev no fim de semana. O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, disse que "gostaria de entender o significado dos relatos sobre a visita de urgência" de Brennan.

No domingo, o presidente ucraniano deposto, Viktor Yanukovich, disse que Brennan e a CIA estariam por trás da ameaça feita pelo presidente interino de mobilizar as tropas contra os rebeldes no leste.

A Casa Branca rebateu as acusações, mas admitiu que o diretor esteve na capital. "Normalmente, não comentamos as viagens do diretor da CIA, mas dadas as extraordinárias circunstâncias desse caso e as falsas acusações levantadas pelos russos, podemos confirmar que o diretor esteve em Kiev como parte de uma visita à Europa", afirmou o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney.

Ocupações

No território ucraniano, os separatistas tomaram mais instalações. Ao todo, já são dez as cidades onde foi registrado algum tipo de levante rebelde. Em Slaviansk, forças separatistas disseram controlar um campo aéreo. Na cidade de Horlivka, cerca de cem separatistas pró-Rússia atacaram o quartel-general da polícia. / REUTERS, AFP e NYT 
 


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