Ucrânia volta a acusar Rússia de invasão e pede reunião do CS

O presidente ucraniano Petro Poroshenko convocou nesta quinta-feira uma reunião de emergência do Conselho de Segurança do país e cancelou a viagem que faria à Turquia ao declarar que "forças russas entraram na Ucrânia", na medida em que aumentam as preocupações a respeito da abertura de uma nova frente de confrontos.

Estadão Conteúdo

28 de agosto de 2014 | 08h57

Poroshenko convocou o conselho enquanto a estratégica cidade de Novoazovsk, no sudeste do país, ficava, aparentemente, sob firme controle dos separatistas pró-Rússia. "Hoje o lugar o presidente é em Kiev", afirmou Poroshenko.

Na manhã desta quinta-feira, um jornalista da Associated Press viu o estabelecimento de postos de verificação rebeldes nas proximidades de Novoazovsk e recebeu a informação de que não poderia entrar no local. Um dos rebeldes disse que não havia combates na cidade.

Novoazovsk, que fica nas proximidades de uma estrada que liga a Rússia à península Crimeia, anexada pelos russos em março, esteve sob fortes bombardeios durante três dias. Na manhã de quarta-feira, os rebeldes entraram na cidade. A porção sudeste da Ucrânia, ao longo do Mar de Azov, ainda não havia registrado combates que engoliram áreas do norte do país.

"Eu decidi cancelar minha visita à Turquia por causa do agravamento da situação na região de Donetsk...na medida em que forças russas entraram na Ucrânia", disse Poroshenko.

A nova frente de combate, no sudeste, levanta temores de que os separatistas estão buscando criar uma ligação por terra entre a Rússia e a Crimeia. Se esse for o caso e a medida der certo, poderá dar à Rússia o controle sobre todo o Mar de Azov e as riquezas minerais e petrolíferas locais.

Em Donetsk, a maior cidade controlada pelos rebeldes, 11 pessoas foram mortas por ataques a bomba durante a noite, informou a administração municipal em comunicado.

Joseph Dempsey, analista do Instituto Internacional para Estudos Estratégicos, de Londres, disse que imagens recentes de um comboio militar no leste ucraniano mostram a presença de uma variação dos tanques T-72, sobre os quais "não se tem conhecimento de que foram exportados ou operados fora da Rússia".

A presença dos tanques, acrescentou ele em publicação num blog nesta quinta-feira, "dá forte apoio ao argumento de que a Rússia está fornecendo armas para as forças separatistas".

O governo dos Estados Unidos acusa a Rússia de orquestrar uma nova campanha militar na Ucrânia, que ajuda os rebeldes a expandir sua luta, e de enviar tanques, lançadores de foguetes e veículos blindados.

"Estas incursões indicam que a contraofensiva dirigida russa está provavelmente em vigor em Donetsk e Lugansk", disse na quarta-feira a porta-voz do Departamento de Estado Jen Psaki. Ela expressou preocupação a respeito da entrega noturna de materiais no sudeste ucraniano nas proximidades de Novoazovsk e disse que a Rússia está sendo desonesta a respeito de suas ações, até mesmo com seu próprio povo. Fonte: Associated Press.

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