Reuters / Heinz-Peter Bader
Reuters / Heinz-Peter Bader

UE acha caminhão com corpos de 50 imigrantes

Além do episódio, ocorrido na Áustria, dois barcos que transportavam refugiados naufragaram na costa da Líbia e centenas podem ter morrido

Jamil Chade, CORRESPONDENTE, GENEBRA, O Estado de S. Paulo

27 de agosto de 2015 | 20h40

Novas mortes no mar e nas estradas europeias envolvendo imigrantes criaram ontem um mal-estar entre governos da União Europeia que, pressionados, passaram a se acusar mutuamente pela crise. Ontem, centenas podem ter morrido em dois barcos que afundaram na costa da Líbia tentando chegar à Itália.

Os barcos teriam afundado logo depois de partir rumo à Europa, com africanos, sírios e imigrantes de Bangladesh. No primeiro deles, 50 pessoas estavam à bordo. No segundo, mais de 400. A tragédia, se confirmada, seria uma das maiores do ano, que já registrou 2,3 mil mortes em barcos tentando cruzar o Mar Mediterrâneo.

Na Áustria, dezenas de corpos em decomposição foram encontrados em um caminhão abandonado. O grupo de até 50 pessoas teria morrido asfixiado dentro do veículo vindo da Hungria. Hans-Peter Doskozil, diretor da polícia da região austríaca de Burgenland, admitiu que pouco ainda se sabe sobre o que ocorreu.

Em Budapeste, o governo também indicou que a suspeita é que o caminhão estava sendo usado por uma rede de traficantes de imigrantes. Segundo o gabinete do primeiro-ministro húngaro, os corpos eram “de imigrantes ilegais que estavam tentando chegar ao Ocidente via Hungria”. 

Em apenas um dia, 3 mil pessoas entraram na Hungria que, de forma emergencial, começou a montar cinco campos de refugiados. Quem chega ao país é transportado por trens especiais até os acampamentos, inicialmente previstos para acolher apenas mil pessoas. Segundo a ONU, esses acampamentos não darão conta do fluxo de estrangeiros.

Empurra. Após a reunião e as novas tragédias, o tom de cada governo foi ainda o de acusação mútua, enquanto cada um tenta se livrar dos fluxos de pessoas que chegam diariamente.

O governo da Alemanha insistiu que vai enviar dinheiro aos países dos Bálcãs para ajudar a lidar com os imigrantes. Mas ontem alertou que a única solução será compartilhar os refugiados pelos 28 países europeus, o que muitos governos não estão dispostos a fazer. 

Berlim, que estima receber 800 mil pessoas em 2015, se queixa de que não pode arcar com todo o peso da imigração. 

“Vivemos a maior onda de imigração desde a 2.ª Guerra”, constatou ontem a chanceler alemã, Angela Merkel. 

A líder ainda cobrou dos países dos Bálcãs que impeçam a migração de seus cidadãos. Segundo ela, quem vier da Sérvia, Albânia, Kosovo ou Bósnia será deportado e não mais ganhará status de refugiado, já que não existe mais perseguição ou guerra nas regiões citadas.

Federica Mogherini, chefe da diplomacia europeia, apelou aos governos que abandonem “o jogo do empurra-empurra” e passem a cooperar. “Não podemos continuar assim e apenas fazer um minuto de silêncio cada vez que alguém morre”, disse a diplomata. 

Para a Anistia Internacional, a Europa não pode esperar mais para agir. “As pessoas estão morrendo, em caminhões ou barcos, e isso é um indicativo do fracasso da Europa em lidar com a crise”, declarou Gauri van Gulik, representante da entidade. 

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