UE acusa Israel de consolidar ''anexação ilegal''

Bloco diz que demolições são parte da estratégia para Jerusalém Oriental

Rory McCarthy, THE GUARDIAN, O Estadao de S.Paulo

06 de março de 2009 | 00h00

Um relatório confidencial da União Europeia (UE) acusa o governo israelense de usar a expansão dos assentamentos, demolições de casas de palestinos e políticas habitacionais discriminatórias para "prosseguir ativamente com a anexação ilegal" de Jerusalém Oriental. De acordo com o documento, Israel acelerou seus planos para Jerusalém Oriental, corroendo a credibilidade da Autoridade Palestina e debilitando o apoio às negociações de paz."As ações de Israel em Jerusalém Oriental e arredores são um dos mais sérios desafios para o processo de paz entre israelenses e palestinos", diz o documento, intitulado "Relatório sobre Jerusalém Oriental dos Chefes de Missão da UE". O documento é datado de 15 de dezembro de 2008. Ele reconhece como legítimas as preocupações de segurança de Israel em Jerusalém, mas acrescenta que "muitas das ações ilegais, que pratica hoje na cidade e em torno dela, limitaram as justificativas de segurança". "A construção de novos assentamentos e do muro, políticas habitacionais discriminatórias, demolições de casas, um regime de autorizações restritivo e o contínuo fechamento de instituições palestinas aumentam a presença israelense em Jerusalém Oriental, fragilizam a comunidade palestina na cidade, impedem o desenvolvimento urbano palestino e separam Jerusalém Oriental do restante da Cisjordânia", diz o relatório. O documento foi divulgado no momento em que crescem as preocupações com as políticas adotadas por Israel em Jerusalém Oriental.Na segunda-feira, duas casas foram demolidas, pouco antes da chegada da secretária de Estado americana, Hillary Clinton à região. Outros 88 imóveis estão na fila da demolição, todos por falta de alvará de construção. Hillary Clinton tachou essas demolições de "inúteis", observando que elas violam as obrigações de Israel, nos termos do Mapa da Estrada - o plano de paz patrocinado, principalmente, pelos EUA. O relatório da UE vai além, dizendo que essas demolições são "ilegais de acordo com o direito internacional, não atendem a nenhum objetivo claro, têm graves efeitos humanitários e alimentam o rancor e o extremismo".Desde o início das conversações de paz de Annapolis, no final de 2007, 5.500 novas casas em assentamentos judeus na Cisjordânia foram submetidas à consideração dos órgãos públicos, e cerca de 3 mil foram aprovadas até agora, diz o relatório.Nos territórios ocupados vivem hoje 470 mil colonos judeus, incluindo 190 mil em Jerusalém Oriental. Israel emite menos de 200 alvarás por ano para construção de casas palestinas. Cerca de 400 residências foram demolidas desde 2004 e outras mil ordens de demolição aguardam para também serem cumpridas.CRÍTICASTrechos do relatório"As ações de Israel em Jerusalém Oriental são um dos mais sérios desafios para o processo de paz entre israelenses e palestinos""Novos assentamentos, o muro, demolições e o fechamento de instituições palestinas fragilizam a comunidade palestina e separam Jerusalém Oriental do restante da Cisjordânia""(As demolições) são ilegais de acordo com o direito internacional, não atendem a nenhum objetivo claro, têm graves efeitos humanitários e alimentam o rancor e o extremismo"

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