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Parlamento britânico rejeita pedido do premiê para antecipar eleições 

Partidos de oposição alegam que eles querem novas eleições, mas não nos termos estabelecidos pelo primeiro-ministro

Redação, O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2019 | 16h14

BRUXELAS - O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, não conseguiu os votos necessários em sessão nesta segunda-feira, 28, no Parlamento britânico, para aprovação de eleições antecipadas para 12 de dezembro, no contexto de adiamento do prazo do Brexit. Mais cedo, a União Europeia (UE) aprovou uma prorrogação "flexível" da data do Brexit até 31 de janeiro, segundo anunciou o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk.

Eram necessários dois terços dos votos da Câmara dos Comuns para que a proposta de Johnson fosse aprovada. Apesar do placar da votação ter apontado 299 deputados a favor e 70 contra, o número ainda está muito abaixo dos 434 votos mínimos exigidos para aprovação da moção apresentada pelo Executivo - os demais foram abstenções.  

Partidos de oposição alegam que eles querem novas eleições, mas não nos termos de Johnson. O Partido Trabalhista defende, por exemplo, que primeiro é preciso garantir que não haverá uma separação sem acordo antes de que uma nova eleição seja realizada.

Johnson disse que pode tentar apresentar uma nova moção esta semana, utilizando um procedimento diferente, o qual precisaria apenas de maioria simples para passar. "A única maneira de fazer o Brexit é perguntar às pessoas desse país", disse Johnson aos legisladores, acusando seus oponentes de trair a opção de seus eleitores de deixar o bloco. 

Ele afirmou que se não houver uma nova eleição, o governo ficará como o "Charlie Brown (personagem em quadrinho de Charles M. Schulz) correndo incessantemente para jogar a bola apenas para que o Parlamento a retire". "Não podemos continuar esse adiamento sem fim", disse. 

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Após o anúncio do resultado, Johnson afirmou aos parlamentares que "de um jeito ou de outro, vamos ter outra eleição". O primeiro-ministro acrescentou, ainda, que "agora que um cenário sem acordo está descartado, temos um ótimo pacto", em referência ao entendimento firmado por ele com a UE.

O adiamento concedido nesta segunda-feira por Bruxelas foi pedido por Johnson após ele ser forçado pela Câmara dos Comuns, diante das dificuldades para aprovar o acordo do Brexit no Parlamento britânico antes de 31 de outubro, o antigo prazo. / AFP, EFE e AP 

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