UE adota sanções mais duras ao Irã e ignora mediação brasileira

Medidas vão além das aprovadas pelo Conselho de Segurança; iranianos dizem-se dispostos a[br]diálogo sem precondição

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2010 | 00h00

Com o pacote de medidas mais duro contra um país estrangeiro já adotado pela União Europeia em sua história, o bloco aprovou sanções contra o Irã, para forçá-lo a negociar o futuro de seu programa nuclear. Ontem, Teerã anunciou, em carta à ONU, que está disposto a negociar "sem impor condições".

Apesar de defender novas negociações e aceitar a volta o Irã ao diálogo, a UE não citou em sua resolução o acordo entre Brasil, Turquia e Irã, assinado em maio, que estabelece uma troca de urânio enriquecido por combustível nuclear. O acordo já havia sido rejeitado por EUA, Grã-Bretanha e França.

Na resolução, Bruxelas pede que Teerã volte a conversar com o grupo original de negociadores, formado por EUA, Rússia, China, França, Grã-Bretanha e Alemanha. Para a UE, a base de um entendimento é o acordo proposto em julho de 2008, não o que foi mediado pelo Brasil.

Para mostrar que não aceitará apenas dialogar sem resultados, Bruxelas proibiu investimentos no setor de petróleo, gás natural, bancos, comércio e transporte marítimo no Irã.

As medidas afetam interesses brasileiros, já que um número importante de empresas nacionais mantêm relação com o Irã por meio de intermediários europeus. "Mandamos uma mensagem poderosa", afirmou Catherine Ashton, chefe da diplomacia europeia.

O Irã enviou ontem uma carta para a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) anunciando sua disposição de negociar. Ashton disse estar satisfeita com a declaração, mas exigiu sinais claros de que o Irã fala sério.

A UE desconfia da estratégia do Irã de envolver Brasil e Turquia para ganhar tempo. Questionada se as sanções não afastariam a mediação turca, Ashton negou. "Usamos a Turquia para passar mensagens aos iranianos", disse.

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