UE adotará mais sanções contra Honduras

Bloco europeu deve proibir hoje a entrada de golpistas em seu território

Denise Chrispim Marin, com AFP e Efe, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

31 de julho de 2009 | 00h00

A União Europeia deve proibir o ingresso de membros do governo de facto de Honduras em seu território. Segundo informou ontem o chanceler da Espanha, Miguel Ángel Moratinos, a decisão deve ser tomada pelo Conselho Político Europeu, que se reúne hoje em Bruxelas. Ela segue a mesma linha da medida adotada pelos EUA, que suspenderam na terça-feira os vistos de quatro representantes do governo do presidente de facto, Roberto Micheletti, para pressionar pelo retorno do presidente deposto, Manuel Zelaya. Em reunião em Brasília com o chanceler brasileiro, Celso Amorim, Moratinos defendeu a ideia do presidente venezuelano, Hugo Chávez, de convocar o Grupo do Rio para aumentar a pressão sobre os golpistas em Honduras. Criado em 1986, o Grupo do Rio agrega 20 países latino-americanos e caribenhos e atuou na solução de vários conflitos na região, como a guerra entre Peru e Equador, em 1995. Apesar da falta de resultados do diálogo mediado pelo presidente da Costa Rica, Oscar Arias, e das resoluções da Organização dos Estados Americanos (OEA), o chanceler espanhol considera positivo o fato de a comunidade internacional ter mantido seu repúdio ao golpe em Honduras, exigindo o retorno de Zelaya à presidência sem aceitar condições do governo de facto. "Nunca vi um golpe de Estado ter recebido uma reação tão unânime", afirmou. "A comunidade internacional tem de continuar unida." Ainda ontem, uma fonte ligada a Micheletti disse que o presidente de facto estaria disposto a discutir a volta de Zelaya, mas uma série de condições teriam de ser cumpridas para persuadir empresários e outros setores sociais a aceitar uma proposta nesse sentido. Micheletti pediu ontem o envio a Honduras de uma comissão mediadora para retomar as negociações. Segundo a imprensa nicaraguense, Zelaya se reuniu, em Manágua, com emissários dos EUA, entre eles Hugo Llorens, embaixador americano em Tegucigalpa. Micheletti qualificou a reunião de "intromissão". Zelaya disse que denunciará os golpistas no Tribunal Penal Internacional por crimes de lesa humanidade. O Congresso de Honduras adiou para segunda-feira sua resposta sobre a proposta de acordo de Arias, que inclui uma anistia política, a volta de Zelaya ao poder, a formação de um governo de conciliação e a antecipação em um mês das eleições gerais de novembro.Segundo o presidente do Congresso, Alfredo Saavedra, a decisão foi adiada para que seja realizada uma rodada de consultas com instituições e setores da sociedade civil hondurenha.Pelo menos 6 pessoas ficaram feridas e 88 foram detidas ontem quando a polícia dispersou seguidores de Zelaya que bloqueavam uma estrada perto de Tegucigalpa. Um dos feridos levou um tiro na cabeça.

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