UE ameaça rever relação com Quênia se não houver acordo

União Européia revisará relação com país africano caso Kibaki e líder opositor não cheguem a um acordo político

Agências internacionais,

16 de janeiro de 2008 | 17h06

O comissário de Desenvolvimento e Ajuda Humanitária europeu, o belga Louis Michel, alertou nesta quarta-feira, 16, que a União Européia revisará sua relação com o Quênia caso o presidente Mwai Kibaki e o líder opositor Raila Odinga não cheguem a um acordo para superar a crise vivida no país africano.  Veja também:Nova onda de violência atinge o país Entenda a crise pós-eleitoral do Quênia  "Sem tal compromisso, a União Européia não terá outra alternativa senão revisar suas relações com o Quênia", advertiu Michel, em um debate a respeito do país africano no Parlamento Europeu. Michel acrescentou que, nesse caso, a ajuda orçamentária que o novo Governo queniano espera receber do Fundo Europeu para o Desenvolvimento (Fed) "não poderia ser posta em andamento". Ele afirmou, no entanto, que o conjunto da assistência da UE ao país não seria suspenso. Entre 2002 e 2007, a União Européia proveu 290 milhões de euros ao Quênia, uma das maiores quantias que o país africano recebeu no período. Segundo o comissário, as irregularidades detectadas pelos observadores internacionais nas eleições de 27 de dezembro tornam aconselhável que Kibaki e Odinga compartilhem o poder "de maneira temporária", e que se sejam convocadas novas eleições no país. O Parlamento Europeu votará na quinta-feira, 17, uma resolução na qual pede a convocação de novas eleições caso não haja uma nova apuração dos votos de dezembro e no qual reivindica ainda a suspensão da ajuda orçamentária derivada do Fed até que se resolva a atual crise. Por sua parte, o presidente da comissão de Desenvolvimento da Eurocâmara, o socialista Josep Borrell, pediu nesta quarta uma investigação independente e a adoção de medidas concretas "para estabelecer uma Comissão Eleitoral verdadeiramente imparcial que seja capaz de organizar eleições livres e justas no futuro". Nesta quarta, a polícia queniana entrou em confronto na quarta-feira com manifestantes da oposição que desafiaram a proibição de seus protestos contra a reeleição do presidente Mwai Kibaki. Um ativista foi morto, segundo testemunhas. Nas cidades de Kisumu e Mombaça, jovens começaram a se reunir logo cedo, alguns queimando pneus e montando barricadas.  Em Kisumu, importante reduto da oposição, a polícia dispersou cerca de mil manifestantes com gás lacrimogêneo, cassetetes e tiros para o alto. Testemunhas disseram que um homem morreu e outro ficou gravemente ferido. Um cinegrafista da Reuters viu um cadáver caído, com ferimentos nas costas e no lado do corpo.  Em Nairóbi, a polícia perseguiu manifestantes no bairro financeiro do centro da capital, também usando gás lacrimogêneo e disparos para o ar. O gás chegou a entrar em escritórios da região. Muita gente evitou sair de casa, o comércio fechou, e havia pouco trafego nas ruas.  O Quênia atravessa uma tensa crise política desde as eleições de 27 de dezembro, cujos resultados oficiais deram a vitória ao presidente em exercício Mwai Kibaki. Os protestos da oposição contra esses resultados e as lutas tribais suscitadas desde então causaram mais de 600 mortes e forçaram o deslocamento de 250 mil pessoas.

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