TUT.BY/AFP
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UE anuncia sanções ao regime bielo-russo, mas exclui Lukashenko

Segundo os líderes do bloco, 40 integrantes do regime receberão as sanções pela repressão aos manifestantes e por falsificarem o resultado das eleições presidenciais de 9 de agosto, nas quais Lukashenko reivindicou a vitória

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de outubro de 2020 | 22h15

BRUXELAS - Líderes da União Europeia concordaram em impor sanções a cerca de 40 membros do governo da Bielo-Rússia responsáveis pela repressão aos protestos no país. No entanto, o presidente bielo-russo, Alexander Lukashenko, apelidado de o "último ditador da Europa", ficou de fora da lista de autoridades penalizadas, como informou o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel

Segundo os líderes do bloco, além da repressão aos manifestantes, as autoridades do país foram acusadas de falsificar o resultado das eleições presidenciais de 9 de agosto, nas quais Lukashenko reivindicou a vitória, mas a oposição diz terem sido fraudulentas. 

O acordo sobre as sanções é uma resposta da UE que prometeu apoiar os manifestantes pró-democracia em Minsk e recuperar alguma credibilidade após semanas de atrasos. 

"A União Europeia está agindo contra aqueles que atrapalham a democracia", disse a chanceler alemã, Angela Merkel, após discussões acirradas entre os 27 países membros da UE, que se arrastaram até tarde da noite. "Acho que é um sinal importante."

Reunido em uma cúpula em Bruxelas, o bloco enfrentou uma longa resistência do Chipre, que exigia que os líderes também punissem a Turquia. O Chipre decidiu tirar sua oposição depois que os líderes concordaram em emitir uma mensagem a Ancara. 

"Declaramos que queremos dar uma chance ao diálogo político. Por outro lado, expressamos nossa firmeza em nossos valores e apoio à Grécia e Chipre. Estamos prontos para nos engajar em uma agenda mais positiva com a Turquia, desde que a Turquia queira se engajar uma agenda mais positiva conosco", disse Michel.  

Enquanto o Reino Unido - que deixou o bloco - e o Canadá impuseram sanções a Minsk para mostrar apoio às manifestações pró-democracia, o impasse na UE, onde as decisões são tomadas por unanimidade, abalou a credibilidade da política externa do grupo, dizem diplomatas.

Chipre, um dos menores países da UE, bloqueou a ação contra a Bielo-Rússia por um mês, insistindo que sanções também deveriam ser impostas à sua vizinha Turquia pela exploração de petróleo e gás ao longo da costa da ilha mediterrânea. 

A Alemanha recuou contra uma posição dura sobre a Turquia, temendo que isso atrapalhasse os esforços para esfriar as tensões com a Grécia, um membro da UE. 

A Turquia, ao mesmo tempo candidata a ingressar na UE e membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), caiu no autoritarismo sob o presidente Recep Tayyip Erdogan, mas continua sendo um parceiro estratégico que a UE não pode ignorar. 

Em um sinal de que o impasse diplomático está diminuindo pelo menos entre Atenas e Ancara, a Otan anunciou na quinta-feira que os dois membros da Aliança haviam criado um "mecanismo militar de conflito" para evitar confrontos acidentais no mar./AP, AFP e REUTERS

 

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