UE apoia Paris sobre caso de imigração

Decisão da Comissão Europeia, segundo a qual a França agiu legalmente ao barrar trem que levava tunisianos, irrita governo da Itália

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / GENEBRA

A Comissão Europeia, órgão executivo da União Europeia (UE), respaldou ontem a decisão da França de parar um trem vindo da Itália com imigrantes tunisianos. A medida, que interrompeu por várias horas o tráfego ferroviário entre os dois países no domingo, foi considerada legítima.

De acordo com a comissária do Interior do bloco, Cecilia Malmström, as explicações francesas foram suficientes. "Foi uma medida pontual, que não saiu do estritamente necessário", disse. "Aparentemente, a França tinha direito de fazer isso."

A comissária afirmou ainda que espera que os dois países resolvam a disputa, que provocou protestos por parte da diplomacia italiana, por meio do diálogo, "Peço que as autoridades francesas e italianas sigam em contato para resolver esse conflito", acrescentou.

Controle fronteiriço. A Suíça, a Alemanha e a Áustria intensificaram ontem o controle sobre as fronteiras para evitar que imigrantes do Norte da África que já estejam na Itália entrem em seus territórios. Na Suíça, o partido que governa a região que faz fronteira com a Itália chegou a ameaçar com a proposta da construção de um muro de quatro metros de altura para evitar a entrada dos estrangeiros.

Desde o início da crise no Norte da África, a Itália estima que já recebeu 20 mil imigrantes da região e insiste que essa população deve ser compartilhada com os demais países da Europa como prova de solidariedade. Muitos, de fato, já seguiram para outros territórios, depois de passar pela Itália.

Na fronteira entre a Itália e a Suíça, o número de imigrantes da Tunísia que tenta entrar triplicou. Em março, foram mais de 200 pedidos de asilo na região de Ticino. Giuliano Bignasca, do movimento suíço La Lega, estima que a barreira seria importante para impedir o que ele chama de "invasão".

A Suíça não faz parte da UE, mas é signatária do Acordo de Schengen, que permite a livre circulação de pessoas dentro do bloco. As fronteiras entre o território suíço e o europeu foram praticamente abolidas.

No caso da Alemanha, as províncias da Bavária e Hesse indicaram que também vão aumentar o controle de suas fronteiras. Ontem, o governo alemão criticou Roma por ter distribuído vistos de estadia de seis meses aos imigrantes, o que significa que, na prática, eles poderiam cruzar as fronteiras e entrar em outros países europeus. "Dentro do conceito de solidariedade europeia, é necessário que cada país primeiro assuma sua responsabilidade", criticou o ministro do Interior da Alemanha, Hans-Peter Friedrich.

Na Áustria, o governo optou por controlar sua fronteira com a Itália e lembrou que, nos anos 90, teve de sozinho lidar com dezenas de milhares de refugiados da Bósnia, Sérvia e Croácia, sem a ajuda dos países vizinhos.

O tema deve dominar a cúpula da UE, em junho. Esse fluxo de imigrantes pode ser primeiro teste real à política comum de fronteiras da Europa. Governos que temem perder espaço para partidos anti-imigração devem ter uma postura mais dura.

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